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‘Achamos por acaso’, diz cosmólogo brasileiro que descobriu e deu nome ao Maior Cometa já visto no sistema solar

Posted by on 14/10/2021

O que era para ser uma pesquisa de sua tese de doutorado sobre objetos distantes que orbitam o Sol se transformou na descoberta do maior cometa provavelmente já identificado, com diâmetro estimado em 150 km — cerca de 2,5 vezes o tamanho do detentor do último recorde. Um dos responsáveis foi o cosmólogo brasileiro Pedro Bernardinelli, de 27 anos, cujo sobrenome batizou o novo corpo celeste. E foi tudo “por acaso”.

Pedro Bernardinelli, de 27 anos, descreve para Época os detalhes do projeto que resultou na identificação do corpo celeste de 150 km de diâmetro que viaja na direção da Terra e explica os impactos de sua aproximação do Sol

Fonte: Globo-Época – por Rodrigo Castro

Integrante do projeto Dark Energy Survey (DES), iniciativa que reúne estudantes de universidades de oito países — incluindo o Brasil — para observar a distribuição de galáxias no Universo, Bernardinelli buscava extrair objetos do sistema solar localizados além de Netuno. O cientista e seu orientador Gary Bernstein, no entanto, se depararam com o cometa em meio às milhares de imagens analisadas. Embora já registrado em 2014, somente agora o corpo celeste pôde ser de fato identificado.

— Estava buscando objetos que orbitam o Sol além de Netuno, porque eles são muito interessantes para entender a formação do sistema solar. Nessa brincadeira, a gente achou esse cometa, mas não estávamos procurando cometas. Projetos que buscam cometas têm estratégias muito diferentes das nossas. Foi um negócio meio que por acaso. Ele estava nos nossos dados e calhou nos nossos limites de detecção — disse Bernardinelli a Época.

‘Não vai bater na Terra’

A notícia de que o cometa vinha em direção à Terra agitou as redes sociais na última semana. Apesar de estar se aproximando, não há motivo para preocupação. O corpo celeste foi visto inicialmente a uma distância de 29 unidades astronômicas (UA) do Sol, praticamente a mesma de Netuno. O mais próximo que ele vai chegar da estrela central será em 2031, quando estará a 11 UAs, um pouco além da órbita de Saturno. Isso equivale a cerca de 1,5 bilhão de quilômetros e significa que “não vai bater na Terra e ninguém vai morrer por causa disso”, nas palavras de Bernardinelli.

À medida que se aproxima do Sol, o cometa se esquenta, e mais material evapora. Vários grupos já estão observando o corpo celeste para entender melhor o comportamento de um cometa distante da estrela central do sistema. Esse é apenas o terceiro encontrado.

— A gente não sabe qual é o comportamento típico de um cometa longe do Sol. Todo mundo está trabalhando para tirar mais imagens e entender um padrão desse objeto: quanto material ele está sublimando, o que existe na superfície e outras informações. Temos 10 anos para monitorar esse objeto e ver o que acontece. Basicamente, tirar um vídeo desse objeto se aproximando do Sol. É uma coisa que nunca foi feita antes para nenhum cometa.

Até agora, o que se sabe é que esta não é a primeira passagem do cometa pelo sistema solar, mas sim a mais próxima do Sol. Há aproximadamente 3,5 milhões de anos, o corpo celeste chegou a uma distância estimada de 18 UA para o Sol, mais ou menos a posição de Urano.

80 mil imagens

Bernardinelli ingressou no projeto do DES em 2016, cerca de três anos após seu início. Desde então, ele vinha se dedicando a um extenso volume de dados para seu doutorado em astronomia e física pela Universidade da Pensilvânia, concluído em maio passado. Até 2019, foram obtidas 80 mil imagens do céu, cada uma com 60 dispositivos de câmera acoplada (CCD), usados na astronomia.

— Imagina você fazer uma montagem com 60 câmeras do celular e tirar 80 mil fotos com elas. É um número absurdo de imagens — explica o cientista brasileiro.

Entre as imagens, foram feitas 16 bilhões de detecções, sendo aproximadamente 100 milhões possíveis de constituir o sistema solar. Para isso, os cientistas usaram de 15 a 20 milhões de horas de computador. É o equivalente a deixar uma máquina individual trabalhando durante dois mil anos.

Por esse motivo, boa parte do doutorado de Bernardinelli foi dedicada a desenvolver um algoritmo que auxiliasse na identificação. Também foi necessária a ajuda de um supercomputador de um laboratório nacional dos Estados Unidos para processar os dados.

— Eu digo que é como achar uma agulha no palheiro. A ideia é que os objetos que estão no sistema solar se mexem em relação ao fundo de estrelas, e o que a gente precisa fazer é achar uma série de imagens em que a gente acha que o mesmo objeto apareceu. Esse é o grande problema de descobrir objetos do sistema solar — conta Bernardinelli. — O algoritmo busca esses objetos em nossos catálogos e imagens e tenta traçar uma órbita para eles.

Esse processo resultou na identificação de 817 objetos, entre eles o cometa que foi chamado de Bernardinelli-Bernstein. A União Astronômica Internacional (IAU, na sigla em inglês) adota há anos o padrão de nomear os corpos celestes em homenagem aos descobridores. O anúncio oficial foi feito em 19 de junho, mas dias antes o cosmólogo brasileiro foi surprendido com o comunicado.

— Me pediram para não contar para ninguém. Contei só para meu orientador, minha esposa e meus pais. Em momento algum do meu doutorado, eu esperava descobrir o maior cometa da História. Foi totalmente inesperado, mas bem gratificante — afirmou o brasileiro.

Bernardinelli começou recentemente seu pós-doutorado na Universidade de Washington. Na década que falta até o cometa atingir o periélio — ponto mais próximo ao Sol —, ainda há literalmente um Universo a explorar.


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“O indivíduo é [TÃO] deficiente mentalmente [os zumbis], por ficar cara a cara, com uma conspiração tão monstruosa, que nem acredita que ela exista. A mente americana [humana] simplesmente não se deu conta do mal que foi introduzido em seu meio . . . Ela rejeita até mesmo a suposição de que as [algumas] criaturas humanas possam adotar uma filosofia, que deve, em última instância, destruir tudo o que é bom, verdadeiro e decente”.  – Diretor do FBI J. Edgar Hoover, em 1956


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