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Cerco à Amazônia: Aumento da presença dos EUA na região é motivo para Alarmar o Brasil

Em uma recente ligação sobre o tema da fronteira em Esequibo, com a Guiana, Lula alertou ao presidente venezuelano, Nicolás Maduro, para não criar pretextos para os EUA. Com o aumento dessas tensões e a realização de um exercício conjunto de forças norte-americanas e tropas guianesas, acendeu-se um alerta sobre a possível instalação de uma base militar americana na Guiana, no coração da Floresta Amazônica.

Cerco à Amazônia: aumento da presença dos EUA na região é motivo de preocupação para o Brasil

Fonte: Sputnik

Atualmente os Estados Unidos já contam com bases e instalações militares em alguns países amazônicos, dois deles na fronteira brasileira, o Peru e a Colômbia. O aumento dessa presença é um risco para o Brasil? Ela ameaça a soberania brasileira sobre a Amazônia, a maior floresta tropical do mundo que tem mais da metade de sua extensão localizada em território brasileiro?

Qual o interesse dos EUA na Amazônia?

Se em 2020 os comentários do presidente norte-americano, o senil demente Joe Biden, sobre uma  mobilização internacional de recursos para “salvar a Amazônia” repercutiram mal na mídia e no governo brasileiro, à época chefiado por Jair Bolsonaro, historicamente não faltam motivos para desconfiar da presença dos EUA e de outras nações estrangeiras na região.

“A Amazônia é uma região rica em recursos, e muitos recursos que nós ainda não conhecemos“, explica Pedro Martins, mestre em ciências militares pela Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (ECEME).

Durante séculos a região serviu de base para a extração de recursos naturais, desde as drogas do sertão do período colonial, como o cacau, a baunilha e o guaraná, à borracha e, agora, o petróleo, presente em diversos pontos da floresta, como na Margem Equatorial, na foz do rio Amazonas. “Existem muitas plantas e árvores, muitas espécies que são endógenas da Amazônia e que ainda não foram totalmente mapeadas, diz Martins.

“Você tem todas essas desculpas e todos esses interesses geopolíticos na Amazônia por causa de seus abundantes recursos naturais [muitos ainda para serem descobertos], não só extração de madeira, mas  recursos genéticos, recursos de plantas, botânicos. É, basicamente, uma velha disputa por recursos.”

Presença dos EUA causa problemas na região

Para Danilo Bragança, cientista político, professor de relações internacionais da Universidade Federal Fluminense (UFF), a presença dos Estados Unidos na América do Sul é, tradicionalmente, “um elemento desestabilizador das relações políticas internas e externas”.

No cenário interno, por exemplo, são sabidas as intervenções políticas feitas pelos EUA, que remontam à época da Doutrina Monroe e continuam até hoje, ainda que de forma “sutil”, como descreve o cientista político.

“A gente não pode esquecer que o golpe no Paraguai com o governo Lugo (2008–2012) teve presença estadunidense. A participação do Departamento de Justiça [dos EUA] na Lava Jato, no Brasil, indica que o golpe em Dilma Rousseff (2011–2016) também teve participação direta dos Estados Unidos.”

Isso vai causando, explica Bragança, uma instabilidade na região que atrasa o processo de integração da América do Sul, “que já poderia estar em outros patamares”.

A nível internacional, o professor de relações internacionais cita o exemplo da Unasul, organização de países sul-americanos que foi esvaziada a partir de 2018. Bragança explica que a instituição supranacional previa o desenvolvimento de uma base industrial de defesa compartilhada pelos países da América do Sul, tendo a indústria brasileira como carro-chefe dessa integração.

“Isso permitiria que os países modernizassem suas forças com transferência de tecnologia da nossa indústria, sem precisar recorrer a contratos bilionários com as empresas estrangeiras, sobretudo estadunidenses e francesas. Então quando o Comando Militar do Sul dos EUA (USSOUTHCOM) constrói a sua presença aqui, ele não só desestimula, mas ele inibe a integração de natureza militar e de natureza política entre os países da região”, resume Bragança.

O que é o Comando Sul (USSOUTHCOM) dos EUA?

As Forças Armadas dos Estados Unidos, explica Martins, são divididas em diferentes comandos. O responsável pela região da América do Sul é o Comando Sul, ou South Command (USSOUTHCOM). “Com sede na Flórida, ele é responsável por todas as questões da América do Sul e todos os países abaixo do México, que, apesar de ser da América Latina, está dentro da área de operações do Comando do Norte”, afirmou.

O Comando Sul possui à sua disposição forças da Aeronáutica, da Marinha, do Exército e dos Fuzileiros Navais dos Estados Unidos. A unidade possui diversas funções dentro do seu escopo, desde ajuda humanitária, em caso de desastres naturais, a combate ao narcotráfico. No entanto, a mais importante para a manutenção do poderio geopolítico estadunidense é a realização de exercícios militares em conjunto com as forças armadas locais, como o realizado com a Guiana.

Martins também vê na projeção do USSOUTHCOM uma presença inibidora ao desenvolvimento das forças armadas locais. O especialista ainda lembra que a política de defesa norte-americana possui suas idiossincrasias.

“Mesmo para aliados da OTAN [na qual a Guiana Francesa está representada através da França], alguns equipamentos mais modernos da indústria de defesa americana não são disponibilizados de forma muito simples”, afirmou.

Chegou a hora de o Brasil se preocupar?

Se a crescente proximidade dos estadunidenses com a região ainda não causa preocupações às autoridades, “deveria causar”, afirmou Bragança. Não só a presença militar norte-americana, mas também de grupos econômicos “interessados na Amazônia e na riqueza que ela produz”.

Triplo A: a nova ameaça à soberania brasileira na Amazônia: No Dia Mundial do Meio Ambiente, o Brasil se viu diante de uma proposta do presidente da Colômbia para criar um “corredor ecológico” que iria dos Andes ao Atlântico, passando pela Amazônia. Segundo o professor Rogério Maestri, porém, as preocupações supostamente ambientais do projeto podem esconder interesses estrangeiros bem mais perversos. De acordo com Maestri, de fato, o envolvimento da Gaia Foundation na proposta do Triplo A é mais um indício “de uma direção em termos de ocupação de espaço por outros países”. FONTE

Para Martins, a principal preocupação é o possível desequilíbrio de forças na América do Sul. Tradicionalmente, explica, as nações sul-americanas são pacíficas. Em primeiro lugar, porque elas investiram muito em diplomacia. Mas não só isso.

“Também porque todas têm equipamentos e Forças Armadas mais ou menos equiparáveis. Isso acaba gerando uma sensação de tranquilidade. Quando você tem uma nova potência, uma presença militar muito grande de uma grande potência, isso perturba esse equilíbrio, essa correlação de forças na América do Sul, e faz com que você tenha um efeito dominó imprevisível.”

Segundo Bragança, a solução para combater essa influência não é um maior investimento na distribuição de tropas na região, mas sim aumentar a cooperação industrial de defesa e segurança com os países da fronteira.

“Isso implica na cooperação das polícias e dos militares dos países vizinhos, em fóruns de discussão, debates e na construção de uma política integrada no que se refere à Amazônia e seus elementos políticos e comerciais“, afirmou.

Para isso, destaca o professor, é necessário retomar o uso de instrumentos supranacionais, como é a  CELAC, que envolve a América Central e o Caribe, e o que foi a Unasul.

“A gente vai vendo que essas ondas [de integração] são interrompidas por eventos mais ligados até às eleições, e não necessariamente aos golpes. Isso vai evitando que essa unificação aconteça de maneira mais eficiente. E essa integração sendo mais eficiente, ela teria como efeito o desenvolvimento dessa região, a criação de mecanismos comuns que pudessem, por exemplo, trazer maior segurança jurídica para a região.”


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