A Crônica de Akakor – O livro da Águia (3a)

O mistério de uma antiga civilização subterrânea perdida da Amazônia que não existe “oficialmente” … que muitos exploradores MORRERAM tentando encontrar. Se a história da busca pela cidade perdida de Akakor e sua tribo Ugha Mongulala soa como o roteiro de ficção de um filme de Indiana Jones, é justamente porque ela foi usada como base para o quarto e último filme da série, “Indiana Jones and the Kingdom of the Crystal Skull” (O Reino da Caveira de Cristal). É uma história  envolta em muitos mistérios. Ela é contada em um polêmico livro, “A Crônica de Akakor”, que passamos a publicar em capítulos …

A CRÔNICA DE AKAKOR – O LIVRO DA ÁGUIA (3a)

Livro: “A CRÔNICA de AKAKOR” (Die Chronik von Akakor – 1978), por Karl Brugger, prefácio de Erich Von Daniken, tradução de Bertha Mendes.

O LIVRO DA ÁGUIA

Esta é a águia.
Poderosas são as suas asas
E poderosas as suas garras.
Os seus olhos
Olham imperiosamente sobre a Terra.
Está acima do homem.
Não pode ser
Nem vencida nem morta.
Durante treze dias ergue-se no céu,
E durante treze dias
Voa ao encontro do sol-nascente.
É verdadeiramente sublime.


O legado dos Antigos Pais rege a vida dos Ugha Mongulala desde que nascem até que morrem. Frequentam escolas de sacerdotes desde os seis até aos dezoito anos de idade. Aí aprendem as leis da comunidade, do bem-estar, da caça aos animais selvagens, da pesca e do cultivo da terra. As raparigas aprendem a tecer, a cozinhar e a trabalhar no campo. Mas a tarefa mais importante das escolas dos sacerdotes é a revelação e a explicação do legado dos nossos ancestrais. O jovem Ugha Mongulala aprende os sinais sagrados dos deuses e como viver e morrer. Aos dezoito anos, o rapaz tem de fazer uma prova de coragem.

Cada jovem tem de lutar contra um animal selvagem do Grande Rio, porque só quem enfrenta a morte poderá controlar seu próprio medo e compreender a vida. Só então se torna digno de ser aceito pela comunidade dos Servos Escolhidos. É autorizado a escolher um nome e a iniciar uma família. Após a sua morte, a família corta-lhe a cabeça e queima o resto do corpo. O sacerdote mostra a cabeça ao sol-nascente, como sinal de que aquele que partiu cumpriu todos os seus deveres para com a comunidade. Depois a cabeça é conservada num dos nichos do Grande Templo do Sol, tal como está narrado na crônica, com boas palavras e numa escrita clara:

Assim, os vivos sacrificavam-se pelos mortos. Juntavam-se no Grande Templo do Sol. Os pranteadores ficavam em frente dos olhos dos Deuses. Ofereciam resina e ervas mágicas. E o grande-sacerdote falava: “Agradecemos verdadeiramente aos Deuses. Eles deram-nos duas vidas. Excelente é a sua ordem no céu e na terra.”

III – APOTEOSE E DECLÍNIO DO IMPÉRIO –  2.470 a. C. – 1.421 a. C.

No Egito, o Velho Reino terminou em cerca de 2.150 a. C. Aproximadamente na mesma altura, a Babilônia foi destruída, devido a invasão das tribos da montanha. O império de Sumer e Akkad estabeleceu-se cerca de 2.000 a. C. A unidade política durante o governo do rei Hammurabi atingiu ainda um mais elevado nível de arte e civilização. O seu código forneceu as bases das subseqüentes leis do Império Romano. Iniciadas cerca de 2.000 a. C., as tribos indo-germânicas começaram a espalhar-se pela Europa.

O império de Akakor, criado por LHASA, o Exaltado filho dos deuses

Todas as estruturas de estado do Velho Mundo tiveram uma nova imagem devido aos carros de combate. Enquanto o poderoso Novo Reino egípcio de Thotmés estendia as suas relações internacionais até Creta, a idade do Bronze florescia na Europa e levava ao desenvolvimento das civilizações mais diferenciadas. No Novo Mundo, a documentação dos acontecimentos históricos começa com as nações Chavin, no Peru, cerca de 900 a. C. Até esta data nada se sabia sobre os povos nativos {descendentes da raça vermelha de Atlântida} que habitavam a vasta Amazônia e os contrafortes da Cordilheira dos Andes.

O IMPÉRIO NA SUA MAIS ELEVADA FORMA DE PODER

Os territórios do meu povo eram vastos. Esta terra, primitivamente, só era habitada pelos Ugha Mongulala e tribos selvagens, entre as quais muitas nações poderosas habitantes às margens do Grande Rio {Amazonas}. Uma após outra, as tribos foram extintas pelos Bárbaros Brancos. Se a comunidade se defendia, os homens eram assassinados e as mulheres e as crianças eram tratadas como animais. Isto está escrito na nossa crônica e não na dos Bárbaros Brancos. Estes contaram a história erradamente. Afirmaram muitas coisas que não são verdadeiras. Só se referiram aos seus feitos heroicos e à estupidez dos “selvagens”. Os Bárbaros Brancos estão mentindo constantemente, enganando-se uns aos outros. Quebrando todas as leis da natureza, acreditam que criarão um mundo novo e melhor. Porém, segundo o legado dos nossos deuses, a Terra foi criada com o auxílio do Sol. O Mundo, a Terra e o meu povo pertencem uns aos outros. Estão inseparavelmente ligados, tal como Lhasa nos ensinou e está escrito na Crônica de Akakor:

Os Servos Escolhidos não governaram de mão leve. Não esbanjaram sacrifícios. Eles próprios os comeram e beberam. Alcançaram grande poder e receberam grandes tributos: ouro, prata, mel das abelhas, frutos e carne. Isto eram tributos das tribos escravas. Tudo isto aconteceu antes do príncipe, governador de Akakor.

No oitavo milênio (2.500 a. C.) o império de Akakor atingiu o seu mais alto grau. Dois milhões de guerreiros dominavam as planícies do Grande Rio, as vastas regiões de florestas de Mato Grosso e as férteis planícies das encostas orientais dos Andes. Duzentos e quarenta e três milhões de pessoas viviam de acordo com as leis do Exaltado Filho dos Deuses, Lhasa. Mas, na altura de o império atingir o seu máximo, começou a declinar. Primeiro, apareceram alterações que tornaram a colocar Akakor na defensiva das tribos selvagens, que agora atingiam os milhares. Dificilmente a terra produzia alimento para tanta gente. Levados pela fome, repetidamente invadiram os territórios do império. E as Tribos Aliadas igualmente se revoltaram contra o domínio dos Ugha Mongulala.

Surgiram novas nações, que Akakor teve dificuldade em vencer. Por ordem do alto comando saíram para a região do Grande Lago, nas montanhas, e também ocuparam os terrenos circunvizinhos. Eram batedores e guerreiros acompanhados pelo mensageiro com a Seta Dourada. Tinham sido enviados para observar os inimigos de Akakor e derrotá-los. Juntos, os guerreiros das Tribos Escolhidas foram para a guerra. As Tribos Aliadas fizeram muitos prisioneiros e rejeitaram o legado dos deuses. Tinham criado e viviam de acordo com as suas próprias leis. Viviam de acordo com as suas próprias regras. Mas os guerreiros dos Servos Escolhidos eram corajosos. Derrotaram o inimigo e deixaram-no sangrar. Durante milhares de anos, os exércitos dos Ugha Mongulala tinham sido superiores aos dos guerreiros das tribos rebeldes, porque eram cuidadosamente treinados e iam para o campo de batalha de acordo com planos legados por Lhasa. Cem mil guerreiros estavam sob as ordens do comandante-chefe, o Chefe de Cem Mil Homens. Dez mil homens eram chefiados por um capitão ou um Chefe de Dez Mil Homens. Os Chefes de Mil Homens e os Chefes de Cem Homens iam à frente do exército e davam sinal de ataque. 

Depois de uma batalha vitoriosa, fizeram prisioneiros e dividiram o saque. Se a luta parecia perdida, os Ugha Mongulala retiravam-se encobertos pela escuridão e preparavam as suas posições. Só em casos muito raros o príncipe acompanhava o exército. Batedores escolhidos mantinham-no em contato com os guerreiros, de modo a poder dar-lhes assistência, mas com o seu palácio guardado, para qualquer caso de emergência. Quando os Bárbaros Brancos vieram, o meu povo abandonou esta ordem de batalha. Mesmo um enorme exército não poderia resistir às setas invisíveis deste novo inimigo. A época das grandes campanhas vitoriosas havia passado.

Hoje, temos simplesmente um exército de dez mil guerreiros, todos treinados para combate individual. Estão agrupados em partes iguais e sob o comando de cinco dos mais altos comandantes e cinco dos mais altos sacerdotes. Cada guerreiro está equipado com arco e setas, uma comprida lança pontiaguda, uma funda e uma faca de bronze. Tem um escudo de grossas tranças de bambu, que lhe serve de proteção contras as setas do inimigo. O exército é acompanhado por grande número de batedores. Os chefes determinam a duração do ataque, de acordo com as suas informações. A declaração de guerra é decidida pelo príncipe. É ele também que envia o batedor com a Seta Dourada, como sinal de batalha iminente.

A maior campanha antes da chegada dos Godos deu-se em cerca do ano 8.500. De acordo com o que contam os sacerdotes, tribos selvagens dos limites do norte do império aliaram-se com a Tribo dos Vagabundos. Assassinando e roubando, avançaram até ao Grande Rio. A Tribo das Grandes Vozes fugiu em pânico. Maid, o legítimo governador das Tribos Escolhidas, declarou então guerra às tribos inimigas. Como um poderoso exército de toda a parte do império se começasse a organizar, os Ugha Mongulala iniciaram as necessárias preparações militares. Fizeram arcos, setas, fundas e lanças de bambu nos vales e florestas banhados pelo Grande Rio. 

Tanto de noite como de dia os caçadores partiam para trazer a caça necessária para alimentar os guerreiros. As mulheres teciam panos de guerra para os seus homens e cantavam canções sobre os feitos heróicos dos grandes príncipes. Todo o reino de Maid foi dominado por um grande desejo de combater. Seja como for, é isto que os sacerdotes contam. Finalmente, depois de seis meses, quando um exército de trezentos mil homens estava reunido, Maid, o  príncipe, chamou os mais velhos e os sacerdotes. Vestindo a toga brilhante de ouro de Lhasa e com o bastão azul, vermelho e amarelo, com penas pretas, mandou chamar o batedor da Seta Dourada. Quando este chegou, todos os presentes fizeram uma profunda vênia. Maid deu-lhe pão e água, sinais de vida e de morte. Espalhou-se a alegria por entre as tribos dos Servos Escolhidos, gritos de entusiasmo que alcançaram os quatro cantos do mundo e espalharam o medo e o terror entre as tribos inimigas.

Depois começou a grande marcha para a fronteira norte. Durante dois meses, os tambores ressoaram e fizeram tremer a terra. E os sacerdotes contam também que no fim do segundo mês as Tribos Escolhidas encontraram o exército inimigo. Gritando os seus brados de guerra, os guerreiros precipitaram-se uns contra os outros. Os arqueiros lançaram as suas setas e desbarataram a vanguarda do inimigo. Eram seguidos por tropas de lanceiros que tentaram vencer a principal força inimiga que resistia. A batalha cedeu na noite seguinte, pois, de acordo com o legado dos deuses, nenhum guerreiro pode entrar na segunda vida se morrer durante as horas de escuridão. Contudo, na manhã seguinte o combate foi retomado com intensidade dobrada. Os Ugha Mongulala venceram a Tribo dos Vagabundos num poderoso ataque. Os seus chefes renderam-se implorando perdão. Mas Maid não os escutou, e nenhum deles foi poupado. Tanto a tristeza como a alegria se espalharam ao mesmo tempo por todo o império.

OS POVOS DEGENERADOS

Durante o oitavo e o nono milênio, os Ugha Mongulala empreenderam várias campanhas contra as tribos rebeldes. Maid derrotou a Tribo dos Vagabundos e repeliu o ataque das tribos selvagens da zona baixa do Grande Rio. Nimaia edificou as três fortalezas de Mano, Samoa e Kin, na região do país hoje chamado Bolívia, e construiu fortes posições defensivas na vizinhança dos recintos do destruído templo de Mano. Outros chefes travaram outras batalhas: Anau combateu contra a Tribo dos Comedores de Serpente e a dos Corações Negros. Ton castigou os Matadores de Antas pela sua desobediência e mandou os batedores até às costas do oceano leste. Kohab, um descendente do Exaltado Filho dos deuses, Lhasa, particularmente heroico, derrotou a Tribo das Caras Torcidas numa sangrenta batalha que  durou três dias, na parte superior do rio Negro, e estendeu o seu império até ao país hoje chamado Colômbia. Muda construiu um segundo cinturão de defesa em volta de Akakor e armazéns subterrâneos nos vales dos Andes.

Mas foi o príncipe Maid que teve de suportar a guerra mais violenta. Trata-se da luta contra a Tribo que Vive na Água, que fundara o seu próprio império nas montanhas do Peru depois da segunda Grande Catástrofe. No decorrer de oitocentos anos, os seus chefes dominaram numerosos povos selvagens e avançaram até Machu Picchu. A fim de evitar que essa tribo atacasse Akakor, o Alto Conselho decidiu submetê-los. Numa guerra com pesadas baixas, que durou três anos e em que os Ugha Mongulala sofreram muitas derrotas humilhantes, Maid finalmente venceu a Tribo que Vive na Água e fez prisioneiro o seu chefe. O perigo que vinha do oeste parecia ter sido vencido.

Como acabará isto? Cada vez mais, as pessoas fazem as suas próprias leis e esquecem o legado dos deuses, vivem como animais. Grande é o número dos Servos Escolhidos, mas inúmeros são os Degenerados. Eles devastam os nossos campos e matam os nossos filhos. São imperiosos e muitos são os povos que dominaram. As tribos rebeldes citadas na crônica pertencem aos Degenerados. Lhasa integrara-os no império de Akakor e ensinaram-lhes o legado dos deuses. No decorrer dos milênios fugiram à soberania dos Ugha Mongulala e esqueceram o ensino dos Antigos Pais. 

Viviam como tribos selvagens em cabanas de palha ou casas feitas de canas com feitio retangular, bastante grandes para toda a comunidade tribal. As suas instalações eram cercadas por uma alta barreira de madeira. Não usavam roupas. Não conheciam o tear. Mas são peritos em trabalhar as penas que usam na cabeça. Os Degenerados cultivam a terra depois de queimarem a floresta. Plantam mandioca, trigo e batatas. Para eles a caça e a pesca é tão  importante como o cultivo da terra. Os seus arcos e setas são semelhantes aos nossos, mas menores e mais leves. Adotam o mesmo veneno que os Ugha Mongulala. Em combate usam a lança com a ponta de pedra afiada.

O meu povo venera o legado dos deuses, e as Tribos Degeneradas adoram três diferentes divindades: o Sol, a Lua e um deus do Amor. Para eles, o Sol é a mãe de toda a vida da Terra. A Lua é a mãe de todas as plantas e animais. O deus do Amor protege a tribo e é responsável pela fertilidade dos povos. Se uma tribo acredita que é infeliz, o sacerdote mágico afasta os maus espíritos. Os Degenerados também sabem do essencial Eu, que se solta do corpo no momento da morte e inicia uma segunda vida. Acreditam que esta segunda vida se realiza nas moradias subterrâneas dos Primitivos Mestres.

VIRACOCHA, O FILHO DO SOL

Os Bárbaros Brancos acreditam que possuem o mais elevado conhecimento e sabedoria. E, na verdade, fazem muitas coisas que nunca compreenderemos e que, para nós, são um mistério. Mas o verdadeiro elevado conhecimento dos humanos há muito que desapareceu. O conhecimento dos Bárbaros Brancos é simplesmente um reaprender e redescobrir dos segredos dos deuses, que moldaram a vida de todos os povos da Terra. Os Servos Escolhidos têm lealmente preservado o legado dos deuses, e o seu conhecimento e sabedoria é conseqüentemente maior. As Tribos Degeneradas dificilmente recordam a época dos seus antepassados e vivem na escuridão. O legado dos deuses nunca foi revelado aos Bárbaros Brancos ou às tribos selvagens, que, tal como animais, vagueiam pelo país.

Só um povo à parte dos Ugha Mongulala conhecia as leis dos deuses. Eram os povos Incas, nação irmã das Tribos Escolhidas. A sua história começa no ano 7.951 (2.530 a. C.). Neste ano, Viracocha, o segundo filho do príncipe Sinkaia, ergueu-se contra o legado dos deuses. Fugiu para a Tribo que vive na Água e fundou o seu próprio império.  Os sacerdotes, homens poderosos em magia, se juntaram a ele. Sabiam sobre futuras guerras. Tudo lhes era revelado sabiam se a guerra e a discórdia tinham acabado. Na verdade, o seu conhecimento era poderoso.

E desde que previra a traição de Viracocha, o segundo filho de Sinkaia, castigaram-se e jejuaram no Grande Templo  do Sol de Akakor. Só comiam três espécies de fruta e pequenos bolos de trigo. Era na verdade um grande jejum, para vergonha de Viracocha, que não tinha fé. Nenhuma mulher se lhes juntou. Durante muitos dias ficaram sozinhos no templo, perscrutando o futuro, sacrificando incenso e sangue de animais. Era assim que passavam o seu tempo desde a  madrugada ao entardecer e ainda as suas noites. Rezavam com corações exaltados, pelo perdão para o descrente filho de Sinkaia

As orações dos sacerdotes não conseguiram comover o coração do segundo filho de Sinkaia. Embora não fosse autorizado a ocupar o cargo do príncipe, reclamou a soberania sobre o povo dos Ugha Mongulala. Revoltou-se contra o legado dos deuses e infringiu as leis deixadas pelo príncipe Lhasa. Para manter a paz no reino o Alto Conselho levou Viracocha a julgamento. Na Grande Sala do Trono os mais velhos do povo consideraram-no culpado. O seu julgamento foi a pena maior e mais dura, e foi enviado para o exílio. Viracocha, o filho do Sol, como mais tarde chamou a si próprio, foi o único descendente de Lhasa que infringiu as leis dos deuses e teve de pagar pelo seu crime com o exílio.

Esse foi o maior castigo do meu povo até a chegada dos soldados alemães, que insistiram na introdução da pena de morte. Para crimes menores, tal como a violência ou desobediência, os culpados devem justificar-se publicamente. A preguiça é considerada uma fratura das leis da comunidade e é punida com um período de serviço nas mais longínquas e perigosas fronteiras. A embriaguez é somente um crime se o acusado não cumpriu com os seus deveres por causa dela. O mais hediondo crime é o roubo, visto o meu povo possuir tudo em comum e a propriedade individual não ter significado. Tal como os adúlteros, os assassinos, os rebeldes e os ladrões são também enviados para o exílio.

Viracocha, o Degenerado, não só infringiu o legado dos deuses como também ignorou a decisão do Alto Conselho. Em vez de viver sozinho na montanha, como é prescrito pelas leis do meu povo, fugiu para a Tribo que Vive na Água. Levou a tribo para um vale nas montanha, na cordilheira dos Andes, e construiu Cuzco, a cidade dos quatro cantos do mundo, como lhe chamou. Uma nação irmã nascera, o povo dos Incas, os filhos do Sol. O seu império ergueu-se rápido e poderoso. Sob a chefia de Viracocha e dos seus descendentes, conquistaram muitos países e submeteram inúmeras tribos selvagens. Os seus guerreiros conquistaram as costas ocidentais do grande oceano e avançaram profundamente na selva de cipós do Grande Rio. Juntaram enorme fortuna na capital do império e introduziram novas leis contra o legado dos deuses.

Os Incas até desenvolveram a sua própria escrita. Consta de cordas multicoloridas atadas em nós. Cada nó e cada corda tem um significado definido. Várias cordas atadas representam uma mensagem. Deste modo desenvolveram o seu império, fundado na idolatria e na opressão, e não levou muito tempo para montarem uma campanha de destruição contra os Ugha Mongulala. Mas estava escrito que os descendentes de Viracocha rejeitariam o legado dos deuses. Quando o seu poder atingiu o máximo, cumpriu-se o predito pelos nossos sacerdotes. Eclodiu uma cruel guerra fratricida que abalou o império nas suas próprias bases. E a destruição foi completada com a chegada dos Bárbaros Brancos às costas ocidentais da grande cordilheira dos Andes.

 {Continua…}


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