Entre ou
Cadastre-se

Compartilhe
Receba nosso conteúdo

As Digitais dos deuses (38) – Jogo Interativo Tridimensional

Chegando ao fim da Grande Galeria, passei por cima de um grosso degrau de granito de uns 90cm de altura. Lembrei-me de que aquela peça se encontrava, exatamente como o telhado da Câmara da Rainha, ao longo do eixo leste-oeste da Grande Pirâmide, e, por conseguinte, marcava o ponto de transição entre as metades norte e sul do gigantesco monumento. Tendo de certa maneira a aparência de um altar, o degrau proporciona também uma sólida plataforma horizontal, imediatamente de frente para o baixo túnel quadrado que serve de entrada para a Câmara do Rei. Parando por um momento, voltei a olhar para a galeria, notando, mais uma vez, a falta de decoração, de iconografia religiosa e de todo e qualquer simbolismo reconhecível geralmente associado ao sistema de crenças arcaico dos antigos egípcios.

Edição e imagens:  Thoth3126@protonmail.ch

Livro “AS DIGITAIS dos DEUSES”, uma resposta para o mistério das origens e do fim da civilização

Por Graham Hancock, livro “AS DIGITAIS DOS DEUSES”, Tradução de Ruy Jungmann, editora Record 2001.

CAPÍTULO 38 – Jogo Interativo Tridimensional

Tudo que ficou gravado em minha mente, juntamente com todos os 46,63m dessa magnífica abertura geométrica, foi a regularidade como que casual e sua pura simplicidade mecânica. Erguendo a vista, consegui distinguir, ainda que com alguma dificuldade, a boca de uma abertura escura, cortada no alto da parede leste, acima de minha cabeça. Ninguém sabia quando ou por quem esse agourento buraco fora aberto ou até que profundidade penetrara inicialmente. A abertura leva à primeira das cinco câmaras de descarga acima da Câmara do Rei e foi prolongada em 1837, ocasião em que Howard Vyse a usou para abrir caminho para as quatro aberturas restantes. Olhando novamente para baixo, pude distinguir, ainda que precariamente, o ponto na parte inferior da parede oeste da galeria, onde a chaminé quase vertical iniciava sua vertiginosa descida de 48m para encontrar-se com o corredor descendente, bem abaixo do nível do chão. Por que havia sido necessário todo esse complicado sistema de canos e passagens?

À primeira vista, a coisa não fazia sentido. Mas,  também, nada na Grande Pirâmide fazia muito sentido, a menos que estivéssemos dispostos a dedicar muita atenção a ela. De maneiras imprevistas, quando fazíamos isso, ela, uma vez por outra, nos recompensava. Se você fosse suficientemente bom em matéria de números, por exemplo, a pirâmide, conforme vimos acima, responderia a suas perguntas sobre a altura e perímetro da base, “imprimindo” o valor de PI. E, se você estivesse disposto a investigar ainda mais, conforme veremos, ela faria o download de outros úteis fragmentos matemáticos, cada um deles mais complexo e mais difícil de compreender que o anterior. Havia uma sensação programada a respeito de todo esse processo, como se ele tivesse sido pré-arranjado com o máximo cuidado. Não pela primeira vez, quando dei por mim estava querendo pensar na possibilidade de que a pirâmide pudesse ter sido projetada como um gigantesco desafio ou como uma máquina didática – ou, melhor ainda, como um quebra-cabeça tridimensional interativo, colocado no deserto para que a humanidade o solucionasse.  

A Antecâmara  tendo apenas 1,65m de altura, a entrada para a Câmara do Rei exige que todo ser humano de estatura normal se abaixe. Cerca de 1,20m adiante, porém, cheguei à “Antecâmara”, onde o nível do telhado sobe inesperadamente para 3,65m acima do chão. As paredes leste e oeste da Antecâmara são de granito vermelho, no qual haviam sido entalhados quatro pares opostos de largos sulcos paralelos, que egiptólogos pensam que sustentaram grossas lajes levadiças (tipo guilhotina). Três desses pares de sulcos desciam até o chão e estavam vazios. O quarto (mais ao norte) só havia sido cortado até o nível do teto da passagem de entrada (isto é, 1,3m acima do nível do chão) e continha ainda uma grossa folha de granito, talvez de 22cm de espessura e 1,82m de altura. Há um espaço horizontal de apenas 91  cm entre essa pedra levadiça e a extremidade norte da entrada, pela qual eu acabava de passar.

Notei ainda uma abertura de pouco mais de 60cm de profundidade entre a parte mais alta da pedra levadiça e o teto. Qualquer que fosse a função para a qual devia servir, era difícil concordar com a opinião dos egiptólogos, de que essa estrutura peculiar fora ali construída para impedir o acesso de ladrões de sepulturas.  Realmente confuso, passei por baixo dela e me espiguei novamente na parte sul da Antecâmara, que tinha cerca de 3,48m de comprimento e mantinha a mesma altura do teto, de 3,65cm. Embora muito desgastados, os sulcos destinados às três “peças levadiças” restantes continuavam ainda visíveis nas paredes leste e oeste. Nenhum sinal havia das próprias lajes e, na verdade, era difícil compreender como peças tão pesadas de pedra poderiam ter sido instaladas em um espaço de trabalho tão exíguo. Lembrei-me que Flinders Petrie, que realizara um levantamento topográfico sistemático da necrópole de Gizé em fins do século XIX, fizera comentários sobre um quebra-cabeças semelhante, que encontrara na Segunda Pirâmide:

“As peças levadiças de granito na passagem inferior mostram grande habilidade na movimentação de massas, uma vez que seriam necessários de 40 a 60 homens para erguê-las. Ainda assim, elas foram erguidas e colocadas no lugar em uma passagem estreita, onde apenas uns poucos homens podiam alcançá-las”‘.

Exatamente as mesmas observações aplicavam-se às peças levadiças da Grande Pirâmide, se eram lajes levadiças – isto é, portas capazes de ser erguidas e baixadas. O problema era que a física de içamento e abaixamento exigia que elas fossem mais curtas do que toda a altura da Antecâmara, de modo que pudessem ser puxadas para dentro do espaço do teto, a fim de permitir a entrada e saída de pessoas habilitadas, antes do fechamento da tumba. Isso significava, claro, que quando as bordas da parte inferior das lajes descessem até o chão para bloquear a Antecâmara nesse nível, um espaço igual e oposto teria sido aberto entre as bordas superiores das lajes e o teto, através do qual qualquer ladrão de sepulturas empreendedor teria certamente podido passar. A Antecâmara qualificava-se, sem a menor dúvida, como outro dos muitos intrigantes paradoxos da pirâmide, nos quais a complexidade da estrutura era combinada com uma função aparentemente sem sentido. Um túnel de saída, da mesma altura e largura do de entrada e revestido de granito vermelho maciço, abre-se a partir da parede sul  da Antecâmara (também de granito, mas incorporando uma camada de pedra calcária de 30cm na parte mais alta). Cerca de 2,70m adiante, o túnel desemboca na Câmara do Rei, uma sala vermelha escura, feita inteiramente de granito, que projeta uma atmosfera de prodigiosa energia e poder.

Enigmas em Pedra

Dirigi-me para o centro da Câmara do Rei, cujo eixo longo está perfeitamente orientado no sentido leste-oeste e, o mais curto, em perfeita orientação norte-sul. A Câmara tem exatamente 5,81m de altura e forma um retângulo exato de dois por um, medindo exatamente 10,42m de comprimento por 5,21m de largura. Com um piso formado por 15 maciças pedras de pavimentação e paredes compostas de 100 gigantescos blocos de granito, cada um deles pesando 70 toneladas ou mais e assentados em cinco carreiras, com um teto que se estende por mais nove blocos de granito, cada um deles pesando aproximadamente 50 toneladas, o efeito é de uma compressão intensa e esmagadora. Na extremidade oeste da Câmara, há um objeto que, se fôssemos dar crédito aos egiptólogos, toda a Grande Pirâmide fora construída para abrigar.

Esse objeto, talhado em uma única peça de granito escuro, cor de chocolate, contendo grânulos especialmente duros de feldspato, quartzo e mica, é o (pseudo) “caixão” sem tampa que se presumia ter sido o sarcófago de Khufus (Quéfren). No interior, suas medidas são de 1,98m de comprimento, 86,5cm de profundidade e 68cm de largura. As medidas externas são de 2,27m de comprimento, 1,04m de altura, e 1,02m de largura, 2,5cm a mais, incidentalmente, para que tivesse sido trazido através da entrada (nesse momento fechada) do corredor ascendente.

Alguns jogos matemáticos de rotina haviam sido inseridos nas dimensões do sarcófago. A peça, por exemplo, tem um volume interno de 1.166,4 litros e um volume externo de exatamente o dobro, isto é, 2.332 litros. Essa coincidência exata não poderia ter acontecido por acaso: as paredes da urna funerária haviam sido cortadas com tolerâncias da idade da máquina, por artesãos de imensa perícia e experiência. Parecia, além disso, como reconheceu Flinders Petrie com alguma perplexidade, após completar o exaustivo levantamento das medidas da Grande Pirâmide, que esses artesãos tiveram acesso a ferramentas “que nós mesmos só agora reinventamos…” Petrie examinou com cuidado especial o sarcófago e concluiu que a peça devia ter sido cortada de seu bloco de granito circundante com uma serra reta de 2,50m de comprimento ou mais. Uma vez que o granito em causa era extremamente duro, ele só podia presumir que as serras deviam ter usado lâminas de bronze (o metal mais duro supostamente disponível na época) com “pontos de corte” de pedras preciosas ainda mais duras:

“O caráter do trabalho indica certamente o diamante como tendo sido a pedra preciosa usada no corte e só as considerações de sua raridade em geral e ausência no Egito é que interferem nesta conclusão…”

Um mistério ainda mais profundo cercava a operação de tornar côncavo o sarcófago, obviamente um trabalho muito mais difícil do que separá-lo de um bloco de rocha. Neste particular, Petrie concluiu que os egípcios deveriam ter adaptado seus princípios de trabalho de serralharia e lhes dado uma forma circular, e não mais retilinear, encurvando a lâmina em volta de um tubo, que abria um orifício circular através de rotação. Dessa maneira, desgastando os núcleos de pedra deixados nos sulcos, conseguiam abrir grandes buracos com um mínimo de trabalho. Essas furadeiras circulares variavam em diâmetro de 5/4 a 5 polegadas e de 1/30 a 1/5 de espessura… Claro, como reconheceu Petrie, nenhuma furadeira ou serra com dentes de diamante jamais foi encontrada pelos egiptólogos. A prova visível dos tipos de perfuração e trabalho de serralharia que haviam sido feitos, contudo, levaram-no a inferir que esses instrumentos deviam ter existido na época. Ele ficou particularmente interessado por esse assunto e ampliou o estudo para incluir não só o sarcófago da Câmara do Rei, mas numerosos outros artefatos de granito e “núcleos  de perfuração” que colecionou em Gizé. Quanto mais aprofundava a pesquisa, contudo, mais misteriosa se tornava a tecnologia de corte de pedra dos antigos egípcios:

O volume de pressão, demonstrado pela rapidez com que as furadeiras e serras penetravam nas pedras duras, é motivo de grande surpresa. Provavelmente, uma carga de uma ou duas toneladas era aplicada às furadeiras de quatro polegadas que cortavam o granito. No núcleo de granito número 7, a espiral do corte penetrou uma polegada na circunferência de 6 polegadas, com uma taxa de desbastamento espantosa. (…) Esses rápidos sulcos em espiral de maneira alguma podem ser atribuídos a outra coisa que à descida da furadeira no granito sob enorme pressão…

Não era estranho que, no suposto início da civilização humana, há mais de 4.500 anos, os antigos egípcios tivessem adquirido o que parece ser perfuratrizes da (atual) era industrial, com uma pressão de uma tonelada ou mais e capaz de fatiar pedras duras como uma faca quente na manteiga? Petrie nenhuma explicação conseguiu dar para esse enigma. Tampouco pôde explicar o tipo de instrumento usado para cortar hieróglifos em certo número de tigelas de diorita, com inscrições da Quarta Dinastia, que descobriu em Gaza:

“Os hieróglifos foram cortados com ponta livre. Não foram arranhados nem desbastados, mas abertos na diorita, com bordas nítidas acompanhando as linhas…”

Esse fato incomodou o lógico Petrie, porque ele sabia que a diorita é uma das pedras mais duras existentes na terra, muito mais dura do que o ferro. Ainda assim, estava sendo cortada no Egito antigo com incrível força e precisão por alguma ferramenta de gravação ainda não identificada:

Uma vez que as linhas têm apenas 1/150 de polegada (0,01666667 cm) de largura, é evidente que a ponta cortante deve ter sido muito mais dura do que o quartzo e resistente o suficiente para não se partir, quando um gume  tão fino estava sendo usado, provavelmente com largura de apenas 1/200 de polegada (0,0125 cm). As linhas paralelas foram gravadas a apenas 2/30 de separação de centro para centro.

Em outras palavras, ele imaginava um instrumento com uma ponta aguçada como agulha, de dureza excepcional, sem precedentes, capaz de penetrar e abrir sulcos com a maior facilidade na diorita e de suportar também as enormes pressões necessárias durante toda a operação. Que tipo de instrumento era esse? Através de que meios a pressão fora aplicada? Como puderam os egípcios manter a precisão suficiente para riscar linhas paralelas a intervalos de apenas 1/30 de polegada (0,083333 cm)? Pelo menos, era possível evocar uma imagem mental de furadeiras circulares com dentes de diamante, que Petrie supunha que deveriam ter sido usadas para se obter a concavidade do sarcófago da Câmara do Rei. Descobri, contudo, que não era fácil fazer a mesma coisa no tocante ao instrumento desconhecido capaz de riscar hieróglifos em diorita no ano 2500 a.C., ou, de qualquer outro modo, sem supor a existência de um nível de tecnologia muito mais alto do que os “egiptólogos” estavam dispostos a aceitar.

Mas o caso não dizia respeito apenas a alguns hieróglifos e tigelas de diorita. Em minhas primeiras viagens pelo Egito, eu havia examinado muitos vasos de pedra – datando alguns deles, em alguns casos, dos tempos pré-dinásticos que haviam sido misteriosamente escavados em forma côncava em uma grande faixa de material, tais como diorita, basalto, quartzo, cristal e xisto metamórfico. Mais de 30.000 desses vasos, por exemplo, haviam sido encontrados nas câmaras situadas sob a Pirâmide Escalonada de Zóser, em Saqqara, da época da Terceira Dinastia. Esse fato significa que os vasos eram, pelo menos, tão velhos quanto o próprio Zóser (isto é, cerca de 2.650 anos a.C.). Teoricamente, poderiam ter sido ainda mais antigos do que isso, uma vez que vasos idênticos tinham sido descobertos em estratos pré-dinásticos datados de 4.000 anos a.C. e ainda antes, porque o costume de legar objetos de grande valor de uma geração a outra estava profundamente enraizado no Egito desde tempos imemoriais.

Tivessem sido feitos no ano 2500 a.C., no ano 4000 a.C., ou mesmo antes, os vasos de pedra da Pirâmide Escalonada eram notáveis por seu fino acabamento artesanal, que, mais uma vez, parecia ter sido conseguido através de alguma ferramenta sequer imaginada (e, na verdade, quase inimaginável). Por que inimaginável? Porque muitos dos vasos eram altos, com longos, finos e elegantes pescoços e interiores muito abertos, não raro incluindo asas inteiramente ocas. Nenhum instrumento ainda inventado (na atualidade) era capaz de escavar e de dar a vasos formas como essas, porque ele teria que ser ainda mais estreito para passar através dos pescoços e suficientemente forte (e da forma certa) para ter escavado as asas e o interior redondo.

E de que maneira pressão suficiente para cima e para fora poderia ter sido gerada e aplicada dentro de vasos para se obter esses resultados? Os vasos altos não foram absolutamente os únicos de tipo enigmático desencavados na Pirâmide de Zóser e em certo número de outros sítios arcaicos. Foram encontradas urnas monolíticas com alças ornamentais delicadas, deixadas na parte externa pelos artesãos. E foram descobertas também tigelas, mais uma vez com pescoços estreitos como os vasos e com interior bem largo, arredondado. E não faltaram tigelas abertas e frascos quase microscópicos e ocasionais objetos estranhos em forma de roda, cortados em xisto metamórfico, com bordas enroladas para dentro tão finas que eram quase translúcidas.

Em todos os casos, o que causava realmente perplexidade era a precisão com que haviam sido trabalhadas as partes interna e externa desses vasos para corresponder uma à outra – curva à curva – em superfícies macias e polidas, sem nenhuma marca visível de ferramenta. Não havia, ao que se soubesse, tecnologia disponível na época, com a qual os antigos egípcios pudessem obter esses resultados. Nem, por falar nisso, qualquer gravador moderno em pedra poderia ficar à altura deles, mesmo que trabalhasse com as melhores ferramentas de carboneto de tungstênio. A implicação, portanto, é que uma tecnologia desconhecida ou secreta foi usada no antigo Egito.

A Cerimônia do Sarcófago

De pé na Câmara do Rei, virado para o oeste – a direção da morte entre os antigos egípcios e os maias -, descansei levemente as mãos sobre a borda granítica áspera do sarcófago que, insistem os egiptólogos, fora construído para abrigar o corpo de Khufu. Olhei para sua escura profundidade, para o lugar onde a fraca iluminação elétrica da tumba parecia ter dificuldade de penetrar e vi partículas de poeira girando em uma nuvem dourada. Era simplesmente um efeito de luz e sombra, claro, muito embora a Câmara do Rei estivesse cheia dessas ilusões. Lembrei-me que Napoleão Bonaparte passou uma noite sozinho aqui, durante a conquista do Egito, em fins do século XVIII. Na manhã seguinte, reapareceu pálido e abalado, tendo experimentado alguma coisa que o perturbou profundamente, mas sobre a qual jamais disse coisa alguma. Teria ele tentado dormir no sarcófago?

Obedecendo a um impulso, entrei no grande caixão de granito e me deitei, rosto para cima, os pés apontados para o sul e a cabeça para o norte. Napoleão era baixote, de modo que deve ter se encaixado confortavelmente ali. Para mim havia também espaço suficiente. Mas Khufu estivera também ali? Relaxei e tentei não me preocupar com a possibilidade de um dos guardas da pirâmide entrar e me encontrar nessa posição embaraçosa e, possivelmente, proibida. Na esperança de não ser perturbado durante alguns minutos, cruzei as mãos sobre o peito e soltei um som baixo e contínuo – algo que eu havia tentado várias vezes antes em outros pontos da Câmara do Rei. Nessas ocasiões, no centro do piso, eu havia notado que as paredes e teto pareciam captar o som, isolá lo, amplificá-Io e projetá-lo de volta a mim, de tal modo que pude sentir as vibrações refletidas através dos pés, couro cabeludo e pele.

Nesse momento, dentro do sarcófago, senti mais ou menos o mesmo efeito, embora aparentemente amplificado e concentrado muitas vezes. Era como estar na caixa de ressonância de algum gigante, em um instrumento musical ressonante destinado a emitir para sempre apenas uma nota reverberante. O som era intenso e profundamente perturbador. Imaginei-o saindo do sarcófago e refletindo-se das paredes e teto de granito, subindo com grande rapidez através dos poços de “ventilação” sul e norte e espalhando-se pelo platô de Gizé como uma nuvem sônica em forma de cogumelo. Com essa visão ambiciosa em mente, e com o som de minha nota em baixo timbre ecoando nos ouvidos e fazendo o sarcófago vibrar ao meu redor, fechei os olhos. Quando os abri, seis minutos depois, vi um espetáculo embaraçoso: seis turistas japoneses, de idades e sexos variados, haviam se reunido em torno do sarcófago – dois deles a leste, dois a oeste e um em cada uma das faces norte e sul. Todos eles olharam para mim… atônitos.

E também fiquei assim ao vê-los. Devido a ataques recentes de extremistas islâmicos, quase não havia mais turistas em Gizé e eu esperara ter a Câmara do Rei só para mim. O que é que fazemos em uma situação como essa? Reunindo tanta dignidade quanto pude, sentei-me e comecei a espanar a roupa. Os japoneses recuaram um passo e saltei do sarcófago. Adotando um jeitão sério e tranqüilo, como se fizesse coisas assim o tempo todo, dirigi-me ao ponto, a dois terços do caminho ao longo da parede norte da Câmara do Rei, onde se localiza a entrada que os egiptólogos chamam de “poço de ventilação norte”, e comecei a examiná-lo cuidadosamente. Medindo 20,22cm de largura por 22,86cm de altura, eu sabia que o túnel tinha mais de 60m de comprimento e que se abria para o ar livre na carreira 103 da cantaria. Presumivelmente por intenção, e não por acaso, a boca do túnel aponta para as regiões circumpolares dos céus do norte, a um ângulo de 32°.

Essa orientação, na Era da Pirâmide, por volta do ano 2500 a.C., teria significado que ela se dirigia para o zênite de Alfa Draconis, a estrela/sol Thuban uma estrela importante na constelação do Dragão. Para grande alívio meu, os japoneses terminaram rapidamente a visita à Câmara do Rei e foram embora, encurvando-se, sem um olhar para trás. Logo que eles saíram, dirigi-me para o outro lado da câmara para dar uma olhada no poço de ventilação sul. Uma vez que havia estado ali alguns meses antes, notei que sua aparência mudara horrivelmente. A boca continha nesse momento uma maciça unidade elétrica de ar condicionado, instalada por Rudolf Gantenbrink, que nessa mesma ocasião dirigia a atenção para as negligenciadas chaminés da Câmara da Rainha.

Thuban , também designada Alpha Draconis (? Draconis, abreviado Alpha Dra, ? Dra ), é uma estrela (ou sistema estelar-solar) na constelação de Draco. Uma estrela relativamente discreta no céu noturno do hemisfério norte, é historicamente significativa como tendo sido a estrela do pólo norte do 4º ao 2º milênio a.C.

Alguns egiptólogos estavam convencidos de que as chaminés na Câmara do Rei haviam sido construídas para fins de ventilação e nada viam de estranho em usar tecnologia moderna para aumentar a eficiência dessa função. Ainda assim, túneis horizontais não teriam sido mais eficientes do que inclinados, se o objetivo principal fosse ventilar, e mais fáceis de construir? Por isso mesmo, provavelmente não era por acaso que a chaminé sul da Câmara do Rei estivesse voltada para os céus do sul a um ângulo de 45°. Durante a Era da Pirâmide, esta era a localização do trânsito do meridiano de Zeta Orionis (Alnitak), a mais baixa das três estrelas do Cinturão de Órion – um alinhamento, como eu descobriria em tempo oportuno, que revelaria ser da mais alta importância para pesquisas futuras sobre a pirâmide.

O Mestre do Jogo

Nesse momento, eu tinha, mais uma vez, a Câmara só para mim. Fui até a parede oeste, no lado mais distante do sarcófago, e virei para o leste. A imensa câmara tinha uma capacidade interminável de gerar indicações de jogos matemáticos. Sua altura (5,7m) era exatamente a metade do comprimento da diagonal do chão (11,41 m). Além disso, uma vez que a Câmara do Rei forma um retângulo perfeito de 1 x 2, seria concebível que seus construtores não soubessem que haviam feito com que ela expressasse e exemplificasse a “seção áurea”? Conhecido como PHI, a seção áurea (Golden Ratio) é outro número irracional, tal como o pi, que não pode ser encontrado aritmeticamente. Seu valor é a raiz quadrada de 5 mais 1 (?5+1 ) dividido por 2, que equivale a  1.6180339887498948482…. Descobriu-se que este é o “valor limite da razão entre números sucessivos na série Fibonacci – a série de números que começa com 0, 1, 2, 3, 5, 8, 13 – na qual cada termo é a soma dos dois termos anteriores”. Pode-se ainda obter o phi esquematicamente, dividindo uma linha A-B em um ponto C, isto de tal maneira que toda a linha A-B seja mais longa do que a primeira parte, A-C, na mesma proporção que a primeira parte, A-C, seja mais longa do que o resto, C-B.

Essa proporção, que se descobriu ser muito harmoniosa e agradável à vista, foi supostamente descoberta pelos gregos pitagóricos, que a incorporaram ao Parthenon, em Atenas. Não há absolutamente dúvida, porém, que phi foi ilustrado graficamente e obtido pelo menos 2.000 anos antes na Câmara do Rei da Grande Pirâmide de Gizé. A fim de compreendê-lo, é necessário imaginar o piso retangular da Câmara como dividido em dois quadrados imaginários de igual tamanho, dando-se ao comprimento do lado de cada quadrado o valor de 1. Se um desses dois quadrados for dividido pela metade, formando, dessa maneira, dois novos retângulos, e se a diagonal do retângulo mais próximo da linha central da Câmara do Rei fosse girada para a base, o ponto onde sua ponta tocasse a base seria o phi, ou 1,618, em relação ao comprimento do lado (isto é, 1) do quadrado original.

Desde o próprio início de sua história dinástica, o Egito herdou, de predecessores desconhecidos, um sistema de medições. Expressado nessas medidas antigas, as dimensões do piso da Câmara do Rei (20,36m x 10,25m) são exatamente iguais a 20 x 10 “côvados reais”, enquanto que a altura das paredes laterais até o teto é de exatamente
11,18 côvados reais. A semi-diagonal do piso (A-B) é também, exatamente, de 11,18 côvados reais e pode ser “girada” para C, a fim de confirmar a altura da câmara. Phi é definido matematicamente como a raiz quadrada de 5+1+2, isto é, 1,618. Será uma coincidência que a distância C-D (isto é, a altura da parede da Câmara do Rei, mais a metade da largura de seu piso) seja igual a 16,18 côvados reais, incorporando, dessa maneira, os números essenciais de phi?
Os egiptólogos acharam que tudo isso fora puro acaso. Ainda assim, os construtores da pirâmide nada haviam feito por acaso. Quem quer que tenham sido, eu achava difícil imaginar indivíduos possuidores de uma mente mais sistemática e matemática. Mas eu já havia tido mais do que o suficiente desses jogos matemáticos por um dia.

A constante matemática PHI e as piramides em Gize, no Egito

Deixando a Câmara do Rei, contudo, não pude esquecer que ela se localiza na carreira número 50 nas obras de cantaria da Grande Pirâmide, a uma altura de quase 45m acima do chão. Isso significa, como havia dito Flinders Petrie com algum espanto, que os construtores haviam conseguido colocá-la “em um nível onde a seção vertical da pirâmide é dividida ao meio, onde a área da seção horizontal é a metade da área da base, onde a diagonal de uma aresta a outra é igual ao comprimento da base, onde a largura de uma face é igual à metade da diagonal da base”.

Confiantes e eficientemente movendo e transportando mais de seis milhões de toneladas de pedra, criando galerias, câmaras, chaminés e corredores mais ou menos à vontade, obtendo simetria quase perfeita, ângulos retos quase perfeitos e alinhamentos também quase perfeitos com os pontos cardeais e astronômicos, os misteriosos construtores da Grande Pirâmide haviam descoberto tempo para realizar também muitas outras brincadeiras com as dimensões da enorme estrutura.

  • Por que a mente dessa gente teria trabalhado dessa maneira?
  • O que haviam eles tentado dizer ou fazer?
  • E por que, tantos milhares de anos após sua construção, o monumento continua a exercer uma influência magnética sobre tantas pessoas, de posições tão diferentes na vida, que com ela entram em contato?

Havia uma Esfinge nas vizinhanças, de modo que resolvi submeter a ela esses enigmas…


Se voce REALMENTE tem interesse em saber QUEM construiu as Pirâmides, no EGITO e no MÉXICO, QUANDO, para QUAL FINALIDADE, e as CONSEQUÊNCIAS, por favor leia TODO O MATERIAL sobre o planeta MALDEK.


Mais informações, leitura adicional:

Permitida a reprodução desde que mantida na formatação original e mencione as fontes.

www.thoth3126.com.br

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *