O homem nasceu para ser um guerreiro ou os “deuses” ensinaram a humanidade a guerrear ? Os “deuses” alienígenas/extraterrestres foram responsáveis pelos eventos mais cataclísmicos da história humana ? As guerras da Terra começaram nos “Céus” e os eventos celestes determinaram o futuro da humanidade na Terra ? Neste livro, Zecharia Sitchin apresenta uma evidência surpreendente de que os deuses [Anunnaki, Nefilins, et caterva] que vieram à Terra desde o planeta Nibiru e outros sistemas, travaram uma série de batalhas ferozes pela supremacia e controle do nosso planeta, alistando os terráqueos nesses conflitos entre os “deuses”.
Fonte: As Guerras dos deuses e dos homens : Livro III das crônicas da Terra, de Zecharia Sitchin
Sitchin conta com um estudo meticuloso dos relatos antigos, desde as escritas sumérias em tabletes de argila e o Antigo Testamento até os mitos antigos dos ensinamentos canaanitas, egípcios, hititas, persas, gregos e hindus, para traçar a saga dos “deuses” e dos homens de um início criativo a um fim trágico. Ele usa então fontes modernas, como fotografias da Terra tiradas pela NASA desde o espaço, para revelar a evidência de uma enorme explosão nuclear ocorrida há cerca de 4 mil anos, mudando a vida na Terra para sempre. O novo exame dos mistérios antigos feito por Sitchin explica o Grande Dilúvio, a destruição de Sodoma e Gomorra [o primeiro grande núcleo da permissividade e corrupção da ideologia Transgênero e LGBTQ+] e outros eventos cataclísmicos do passado na história da humanidade, possibilitando a compreensão de nosso presente e um vislumbre do nosso futuro.
14 – O HOLOCAUSTO NUCLEAR – (de Sodoma e Gomorra)
O Juízo Final veio no 24º. ano, quando Abraão, acampado perto de Hebron, estava com 99 anos.
Yahweh/Enlil lhe apareceu no bosque de Mambré quando ele estava sentado na entrada da tenda, ao maior calor do dia. Tendo levantado os olhos, eis que Abraão viu três homens em pé, junto dele. Logo que os viu, correu da tenda ao encontro deles e se prostrou por terra
Subitamente, a partir de uma cena bastante típica do Oriente Médio – um potentado repousando à sombra de sua tenda – o narrador do Gênesis 18 leva Abraão, e também o leitor, a um encontro com “seres divinos” [extraterrestres Anunnaki]. Embora o patriarca estivesse na entrada da tenda, não viu os três visitantes se aproximando. De repente estavam “junto dele”. E, apesar de serem “homens”, Abraão imediatamente reconheceu suas verdadeiras identidades e prostrou-se diante deles, chamando-os de “meus senhores” e pedindo-lhes que não se fossem antes que ele tivesse a oportunidade de mandar preparar para eles uma suntuosa refeição.
Depois que os visitantes [“seres divinos”] comeram e repousaram, o líder perguntou a Abraão sobre o paradeiro de Sarah e então disse: “Voltarei a ti no próximo ano; então tua mulher Sarah terá um filho”. Mas aquela visita não tinha como propósito apenas prometer a Abraão e Sarah, já muito idosos, o nascimento de um Herdeiro Legítimo. Havia um objetivo mais agourento nela:
Tendo-se, pois levantado dali, aqueles homens voltaram os olhos para Sodoma; e Abraão os conduziu e foi com eles. Então disse o “Senhor” [o “deus” extraterrestre Anunnaki Yahweh/Enlil]: “Acaso poderei eu ocultar de Abraão o que estou para fazer”?
Recordando-se dos serviços prestados pelo patriarca no passado e do futuro fecundo que lhe prometera, o Senhor resolveu revelar-lhe o propósito daquela viagem: verificar as acusações contra Sodoma e Gomorra. “O grito contra Sodoma e Gomorra é muito grande. Seu pecado é muito grave”. Por isso ele decidira ver in loco o que estava acontecendo. “Vou descer e ver se eles
fizeram ou não tudo o que indica o grito que, contra eles, subiu até mim”. Se fossem constatados os pecados das cidades, elas seriam aniquiladas.
A subseqüente destruição de Sodoma e Gomorra tornou-se um dos episódios bíblicos mais retratados e descritos em sermões nas igrejas. Os ortodoxos e fundamentalistas acreditam piamente que Deus literalmente fez derramar fogo e enxofre dos céus para varrer as cidades pecadoras da face da Terra. Os eruditos há muito vêm tentando encontrar explicações “naturais” para a história bíblica. Teria sido um terremoto, uma erupção vulcânica, um fenômeno da natureza, que foi interpretado como um ato de Deus, um castigo. Mas, pelo que diz a narrativa bíblica – e até agora ela é a única fonte para todas as interpretações -, o evento não foi uma calamidade natural. Ele é descrito como um feito premeditado: o Senhor revelou antecipadamente a Abraão o que ia acontecer. Ele era evitável, portanto não um desastre causado por forças naturais irreversíveis, pois só aconteceria se o “grito” contra Sodoma e Gomorra fosse confirmado. E, como veremos adiante, ele era adiável, ou seja, poderia acontecer mais cedo ou mais tarde, dependendo da vontade do “Senhor”Yahweh/Enlil.

Dando-se conta da possibilidade de evitar a calamidade, Abraão tentou argumentar: “Talvez haja cinqüenta justos na cidade. Destruirás e não perdoarás a cidade pelos cinqüenta justos que estão em seu seio?”. E rapidamente acrescentou: “Longe de ti fazeres tal coisa: fazer morrer o justo
com o pecador… Longe de ti! Não fará justiça o juiz de toda a Terra?”. Um mortal fazendo um sermão a uma “Divindade”! E a súplica era para evitar a destruição – premeditada e intencional -, se houvesse pelo menos cinqüenta pessoas virtuosas nas cidades. Mas nem bem o Senhor concordou em poupar Sodoma e Gomorra, caso nelas fossem encontradas essas cinqüenta pessoas, Abraão (que talvez tenha escolhido o número 50 ciente de que ele tinha um significado especial para o Senhor deus Anunnaki) imaginou em voz alta se Yahweh/Enlil ainda destruiria as cidades se faltassem apenas cinco para completar esse número.
Quando o Senhor concordou em desistir da destruição se fossem encontrados 45 justos, Abraão continuou a barganhar, descendo o número para quarenta, trinta, vinte e depois dez. “E o Senhor disse: ‘Não destruirei se houver dez’. E Yahweh/Enlil, tendo acabado de falar a Abraão, foi-se, e Abraão voltou para seu lugar”.
Ao anoitecer, os dois companheiros do Senhor Yahweh/Enlil – a Bíblia agora passa a chamá los de Mal’akhim, que costuma ser traduzido por “anjos”, mas que de fato significa “emissários” – chegaram a Sodoma com a missão de procurar confirmação para as acusações de iniqüidade. Lót, que estava sentado à porta da cidade, reconheceu de imediato (exatamente como aconteceu com Abraão) a “natureza divina” dos dois recém-chegados. Sem dúvida a identidade deles era revelada pela aparência, trajes ou armas que usavam, ou talvez pela maneira (numa aeronave qualquer?) como tinham chegado.
Foi a vez de Lót insistir na hospitalidade, e os dois aceitaram o convite para pernoitar em sua casa. No entanto, não foi uma noite tranqüila, pois a notícia da chegada dos visitantes agitou toda a cidade. “Eles ainda não tinham deitado quando a casa foi cercada pelos homens da cidade, os homens de Sodoma, desde os jovens até os velhos, todo o povo sem exceção. Chamaram Lót e lhe disseram: ‘Onde estão os homens que vieram para tua casa esta noite? Traze-os, para que deles abusemos’”.
Quando Lót se recusou a atender a ordem, os homens tentaram invadir sua casa, mas os dois Mal’akhim “os feriram de cegueira, do menor até o maior, de modo que não conseguiram encontrar a entrada”. Percebendo que de todos os moradores da cidade só Lót era “justo”, os dois emissários deram por terminada a investigação. O destino da cidade estava selado. “Os homens disseram a Lót: ‘Quem mais tens aqui além de ti [“deuses ignorantes] ? Teus filhos, tuas filhas, todos os teus que estão na cidade, faze-os sair deste lugar porque vamos destruí-lo’”.
Lót apressou-se a avisar seus futuros genros, mas só encontrou descrença e gracejos. Assim, ao raiar da aurora, quando os emissários insistiram para que Lót fugisse sem demora, ele partiu levando consigo apenas a mulher e as duas filhas solteiras.
E como Lót hesitasse, os homens o tomaram pela mão, bem como sua mulher e suas duas filhas – pela piedade que Yahweh/Enlil tinha por ele. Eles o fizeram sair e o deixaram fora da cidade.
Tendo retirado a família por via aérea, os emissários deixaram os quatro longe da cidade e avisaram Lót para que fugisse para as montanhas. “Salva-te pela tua vida! Não olhes para trás de ti nem te detenhas em nenhum lugar da planície; foge para a montanha para não pereceres”, explicaram. Mas Lót, temeroso de não conseguir atingir as montanhas a tempo “Sem que me atinja o mal e eu venha a morrer”, sugeriu: a destruição de Sodoma não poderia ser adiada até ele chegar à cidade de Segor? Concordando com a idéia, os emissários pediram-lhe que se apressasse: “Depressa, refugia-te lá, porque nada podemos fazer enquanto não tiveres chegado lá”.
Portanto, a calamidade não somente era previsível e evitável como também podia ser adiada. E mais: podia afligir uma cidade e não outra, bastante próxima. Nenhuma catástrofe natural se ajusta a esses parâmetros.
23 Saiu o sol sobre a terra, quando Lót entrou em Zoar. 24 Então Enlil/Yahweh fez chover enxofre e fogo, do Senhor desde os céus, sobre Sodoma e Gomorra; 25 E destruiu aquelas cidades e toda aquela campina, e todos os moradores daquelas cidades, e o que nascia da terra. 26 E a mulher de Lót olhou para trás e ficou convertida numa estátua de sal [em hebreu também significa VAPOR]. 27 E Abraão levantou-se aquela mesma manhã, de madrugada, e foi para aquele lugar onde estivera diante da face do Senhor; 28 E olhou para Sodoma e Gomorra e para toda a terra da campina; e viu, que a fumaça da terra subia, como a de uma fornalha. 29 E aconteceu que, destruindo Deus as cidades da campina, lembrou-se Enlil/Yahweh de Abraão, e tirou a Lót do meio da destruição, derrubando aquelas cidades em que Ló habitara.
As cidades, as pessoas, a vegetação, tudo foi destruído pela arma dos deuses Anunnaki. Seu fogo e calor calcinaram tudo o que havia à frente. A radiação afetou até mesmo aqueles que estavam a uma certa distância. A mulher de Lót, ignorando a instrução de que não deveria olhar para trás enquanto fugiam, transformou se num “pilar de vapor”. O “mal” que Ló temia a apanhou… Uma a uma, as cidades que “tinham ofendido o Senhor” foram sendo destruídas, e em cada uma delas Lót recebia instruções para continuar fugindo.

Assim, quando Deus destruiu as cidades na planície, ele se lembrou de Abraão e retirou Lót do meio da catástrofe, na destruição das cidades em que Lót habitava.
Lót, seguindo as instruções recebidas, foi “se estabelecer na montanha… e se instalou numa caverna, ele e suas duas filhas”. Tendo sido testemunhas da destruição pelo fogo e calor de tudo o que era vivo na planície do Jordão e da ação da morte invisível que vaporizara sua mãe, o que as filhas de Lót podiam pensar? Vemos, na seqüência da narrativa, que elas imaginaram que os três fossem os únicos sobreviventes do mundo e que o único modo de preservar a espécie humana seria as duas cometerem incesto para conceber filhos de seu pai…
“A mais velha disse à mais nova: ‘Nosso pai é idoso e não há nenhum homem na Terra que venha unir-se a nós segundo o costume de todo o mundo. Vem, façamos nosso pai beber vinho e deitemo-nos com ele, assim suscitaremos uma descendência de nosso pai’”. Feito isso, as duas engravidaram e tiveram filhos.
A noite anterior ao holocausto deve ter sido de insônia e ansiedade para Abraão. Sem dúvida ele se preocupava com o destino de Lót e de sua família no caso de não serem encontrados os dez justos em Sodoma. “Levantando-se de madrugada, Abraão foi ao lugar onde estivera na presença de Enlil/Yahweh e olhou para Sodoma, para Gomorra e para toda a planície, e eis que viu a
fumaça subir da terra, como a fumaça de uma fornalha”!
O patriarca hebreu estava testemunhando uma “Hiroxima”, uma “Nagasáqui” – a destruição de uma planície fértil e densamente povoada por armas atômicas. O ano era 2024 a.C. Onde estão os restos históricos de Sodoma e Gomorra?
Os antigos geógrafos gregos e romanos afirmavam que o fértil vale onde antes ficavam as cinco cidades atingidas tinha sido inundado pelo desastre. De fato, os estudiosos modernos acreditam que a catástrofe descrita na Bíblia (qualquer que tenha sido sua causa “natural”) provocou uma falha na margem sul do mar Morto, o que fez suas águas derramarem e cobrirem as regiões mais baixas a sua frente. A parte restante da antiga margem passou a ser chamada pelos nativos da região de el Lissan (“a Língua”), nome que conserva até hoje.
O vale fértil onde ficavam as cinco cidades tornou-se uma nova parte do mar Morto, apelidada de “mar de Lót”. Além disso, o derrame das águas para o sul fez descer a margem norte do mar Morto. A possibilidade de ter havido uma explosão nuclear na região vem sendo confirmada por várias pesquisas, que começaram com uma abrangente exploração da área nos anos 20 do século passado por uma missão científica patrocinada pelo Pontifício Instituto Bíblico do Vaticano.

Os arqueólogos dessa equipe descobriram que os povoados que ficavam nas montanhas em torno da área foram abruptamente abandonados no século 21 a.C. e permaneceram desocupados por muitos séculos. E mais: até hoje a água das fontes que cercam o mar Morto são contaminadas por radioatividade, que segundo o I. M. Blake, em “A Cura de Josué e o Milagre de Eliseu”, artigo publicado em The Palestine Exploration Quarterly, “é forte o bastante para provocar a esterilidade e outras enfermidades em homens e animais que a ingeriram por muitos anos seguidos”.
A nuvem [radioativa] da morte que se espalhou sobre as cidades da planície assustou não apenas Lót e suas filhas, mas também Abraão. Ele não se sentia seguro nem mesmo nas montanhas de Hebron, a cerca de setenta quilômetros do local da catástrofe. A Bíblia nos conta que ele levantou acampamento e mudou-se para o oeste, indo morar em Gerara.
Abraão também não quis mais se aventurar à península do Sinai. Mesmo muitos anos depois, quando seu filho Isaac mostrou desejo de ir ao Egito por causa da seca e da fome em Canaã. “Enlil/Yahweh apareceu diante dele e disse: ‘Não vás ao Egito [ainda]; reside na terra que te mostrarei’”. Isso sugere que a passagem pela península do Sinai ainda não era segura. E por quê? Cremos que a destruição das cidades da planície foi só um espetáculo secundário. Nessa mesma ocasião houve a destruição do Espaçoporto dos “deuses” Anunnaki na península do Sinai e a explosão deixou uma radiação mortal que permaneceu ali por muitos séculos.
O principal alvo do ataque nuclear foi a península do Sinai. Mas a verdadeira vítima, no final de tudo, foi a Suméria. Embora o final de Ur tenha sido rápido, ele veio se aproximando, tornando-se cada vez mais tenebroso, a partir da Guerra dos Reis. O ano do Juízo Final 2024 a.C. – foi o sexto do reinado de Ibbi-Sin, o último rei de Ur. Mas, para encontrarmos o motivo da calamidade, explicações sobre sua natureza e pormenores sobre sua abrangência, temos de estudar os registros dos 24 anos fatídicos que transcorreram desde aquela guerra.
Tendo falhado em sua missão e sido duas vezes humilhados pelas forças de Abraão – uma vez em Cades-Barne, depois perto de Damasco -, os reis que pretendiam invadir Canaã foram prontamente retirados de seus tronos. Em Ur, Amar-Sin foi sucedido por seu irmão, Shu-Sin. A grande coalizão não existia mais, e os antigos aliados agora estavam começando a se apoderar de partes do antigo império de Amar-Sin.
Embora Nannar/Sin e Inanna também tivessem ficado desacreditados com o fracasso da investida dos reis, eles foram os primeiros deuses a receber a lealdade de Shu-Sin. Segundo as inscrições desse rei, foi Nannar que “chamou seu nome” para torná-lo soberano de Ur. Shu-Sin também chamava a si mesmo de “amado de Inanna” e afirmava que a deusa em pessoa o apresentara
a Nannar. Shu-Sin também se vangloriava de que “a santa Inanna”, a com extraordinárias qualidades, a “Primeira Filha de Sin”, lhe dera armas “com as quais combateria os países inimigos desobedientes”. Todavia, tudo isso não foi suficiente para manter coeso o império sumério, e Shu-Sin achou prudente solicitar o auxílio de deuses maiores.
A julgar pelos formulários de datas – inscrições anuais com objetivos sociais e comerciais, em que cada ano de um reinado era designado pela principal realização do rei naquele período -, no seu segundo ano Shu-Sin tentou obter a graça de Enlil/Yahweh construindo para ele um barco sem igual, capaz de navegar em mar alto e até atingir o Mundo Inferior [sul da África]. O terceiro ano também foi de preocupação com o alinhamento pró-Enki, pois isso talvez resultasse na pacificação dos seguidores de Marduk e Nabu. Não se sabe no que deram essas tentativas de troca de fidelidade, mas tudo indica que elas foram em vão, pois o quarto e o quinto anos foram marcados pela construção de uma grande muralha na fronteira ocidental da Mesopotâmia, com o fim específico de conter as incursões dos “ocidentais” seguidores de Marduk.
Com o crescimento das pressões vindas do oeste, Shu-Sin procurou se aproximar dos grandes deuses de Nippur, pedindo perdão e salvação. Os formulários de dados, confirmados pelas escavações mais modernas, revelam que o rei iniciou uma maciça reconstrução do recinto sagrado de Nippur numa escala sem precedentes desde a era de Ur-Nammu. As obras culminaram com
a colocação de uma estela em honra de Enlil/Yahweh e Ninlil. O rei desejava desesperadamente ser aceito pelo casal divino, mas só Ninlil, a consorte de Enlil/Yahweh, deu ouvidos à sua súplica.
Compadecendo-se de Shu-Sin e desejando “prolongar o bem-estar do rei para ampliar o tempo de sua coroa”, deu-lhe uma “arma cujo brilho aniquila… cujo assustador relâmpago atinge o céu”. Um texto de Shu-Sin catalogado como “Coleção B” sugere que, em seus esforços para restabelecer antigos vínculos com Nippur, o rei pode ter tentado uma reconciliação com os nippurianos que tinham deixado Ur (tal como a família de Terah) depois da morte de Ur-Nammu. O texto afirma que, depois de ele ter feito a região onde ficava Haran “tremer de medo diante de suas armas”, ele fez um gesto de paz mandando para lá uma de suas filhas para se casar com um chefe local ou seu herdeiro. A moça em seguida voltou à Suméria, e em seu séquito estavam aqueles antigos cidadãos de Nippur.
Shu Sin fez questão de apregoar que era a primeira vez que um rei fundava uma cidade para esse casal de deuses, sem dúvida esperando elogios e apoio. Possivelmente com a ajuda dos nippurianos repatriados, ele reinstalou as funções sacerdotais no templo de Nippur, concedendo a si mesmo o título de sumo sacerdote. Contudo, isso foi em vão. Em vez de maior segurança, passou a existir maiores perigos no império. Agora a preocupação com a lealdade não estava apenas restrita às províncias distantes. Havia dúvidas dentro da própria Suméria. Segundo as inscrições de Shu-Sin, ele considerava o governo do seu próprio país o seu maior fardo.
Houve um esforço final para tentar convencer Enlil/Yahweh a voltar para a Suméria, o que colocaria o rei sob sua proteção. Parece que, seguindo um conselho de Ninlil, Shu-Sin mandou construir para o casal um “grande barco de passeio, adequado para os maiores rios… Enfeitou-o com pedras preciosas”, proveu-o com remos feitos das melhores madeiras, varões e leme artisticamente entalhados e mobiliou-o com todo o conforto, colocando nele até mesmo uma cama de casal. Depois “ancorou o barco de passeio no lago que ficava diante da Casa de Prazer de Ninlil”.
Enlil/Yahweh deve ter ficado tão comovido com o presente que talvez o tenha feito recordar-se da época em que se apaixonara por Ninlil, a jovem enfermeira, ao vê-la banhando-se nua no rio, e apressou-se a ir conhecer o barco.
Quando Enlil/Yahweh soube, apressou-se a cortar o horizonte, de sul a norte viajou; pelos céus, sobre a Terra ele correu para se rejubilar com sua amada rainha, Ninlil.
A viagem sentimental, porém, não passou de um breve interlúdio. Infelizmente, algumas linhas cruciais do final da tabuinha de argila que contém o texto estão faltando e não temos detalhes sobre o que realmente aconteceu. Mas a última linha refere-se a “Ninurta, grande guerreiro de Enlil/Yahweh, que atordoou o Intruso”, o que aconteceu, ao que tudo indica, depois que uma “inscrição maldosa” foi descoberta numa efígie no interior do barco, talvez com a intenção de amaldiçoar o casal divino.
Até agora não se encontrou registros sobre a reação de Enlil/Yahweh, mas todas as outras evidências sugerem que ele partiu definitivamente de Nippur, dessa vez levando consigo a esposa. Logo depois – em fevereiro de 2031 a.C. pelo nosso calendário – houve um eclipse total da Lua no Oriente Médio, que durou a noite toda. Os sacerdotes do oráculo nada fizeram para acalmar a ansiedade de Shu-Sin. Numa mensagem escrita, disseram que aquilo era um presságio “ao rei que governa as quatro regiões; sua muralha será destruída. Ur encontrará a desolação”.
Rejeitado pelos grandes deuses, Shu-Sin, num ato de desespero ou de desafio, jogou uma cartada final. Mandou construir dentro do recinto sagrado de Nippur um santuário para um jovem deus chamado Shara. Na inscrição dedicatória, afirmou que era o pai do rapaz. “Ao divino Shara, herói celestial, filho amado de Inanna: seu pai Shu-Sin, o rei poderoso, rei de Ur, rei das quatro regiões, construiu para ele o templo Shagipada, seu querido santuário; que viva o rei”.
Isso aconteceu no nono e último ano do reinado de Shu-Sin. O novo ocupante do trono de Ur, Ibbi-Sin, não conseguiu impedir a decadência. Coube a ele apressar a construção de muralhas e fortificações no coração da Suméria, isto é, em torno de Ur e Nippur. O resto do país foi deixado sem proteção. Seus próprios formulários de dados (os encontrados até agora só cobrem parte de seu reinado) contam muito pouco sobre as circunstâncias da época. Conseguimos muito mais informações a respeito dela a partir da ausência das habituais mensagens de lealdade de outras cidades e dos comprovantes de trocas comerciais.
Assim, as primeiras mensagens de lealdade que anualmente deveriam ser enviadas a Ur e pararam de chegar foram as das capitais dos distritos ocidentais. No terceiro ano não chegaram as das províncias orientais. Também naquele terceiro ano, o comércio internacional “parou de uma hora para outra, de maneira significativa”, como disse C. J. Gadd em History and Manuments of Ur. Em Drehem, perto de Nippur, onde ficava o posto de coleta de impostos sobre bens e gado que eram comercializados e onde, durante toda a Dinastia, foi mantida uma minuciosa contabilidade, os arqueólogos encontraram milhares de plaquinhas de argila intactas contendo essas cifras, mostrando que a contabilidade parou no terceiro ano do reinado de Ibbi-Sin.
Ignorando Nippur depois da partida de seus grandes deuses, Ibbi-Sin colocou sua confiança em Nannar/Sin e Inanna e, no segundo ano de seu reinado, instalou-se como sumo sacerdote do templo da deusa em Erech (Uruk). Repetidamente ele pediu auxílio e orientação, mas só ouvia presságios de destruição. No quarto ano de seu reinado foi informado: “O Filho se erguerá
no oeste… é um presságio para Ibbi-Sin. Ur será julgada”.
No quinto ano Ibbi-Sin tentou conseguir mais força, tornando-se sumo sacerdote de Inanna no santuário da deusa em Ur, mas isso também de nada adiantou. Naquele ano outras cidades da Suméria deixaram de enviar mensagens de lealdade e também foi o último em que essas cidades mandaram os animais sacrificiais para o templo de Inanna em Ur. Portanto, a autoridade central de Ur, seus deuses e seu zigurate-templo já não eram reconhecidos.
No início do sexto ano os presságios sobre a destruição foram se tomando mais urgentes e específicos. “Quando vier o sexto ano, os habitantes de Ur ficarão presos numa armadilha”, dizia um deles. A calamidade profetizada viria, afirmava um outro, “quando, pela segunda vez, aquele que chama a si mesmo de Supremo, como alguém cujo peito tenha sido ungido, virá do ocidente”.
Naquele mesmo ano, como revelam as mensagens vindas da fronteira, “ocidentais hostis entraram na planície da Mesopotâmia”. Sem encontrar resistência, eles rapidamente penetraram no interior, capturando as fortalezas uma após a outra. A Ibbi-Sin só restava o enclave constituído por Ur e Nippur, mas antes do final do fatídico sexto ano pararam de chegar abruptamente também as
inscrições nippurianas honrando o rei de Ur. O inimigo da cidade e de seus deuses, “aquele que chama a si mesmo de Supremo”, atingira o coração da Suméria.
Marduk, como fora pressagiado, voltara à Babilônia pela segunda vez. Os 24 anos fatídicos – compreendendo a partida de Abraão de Haran, a substituição de Shulgi no trono e o exílio de Marduk entre os hititas resultaram naquele ano do Juízo Final, 2024 a.C. E agora, depois de termos examinado as histórias separadas, porém interligadas, de Abraão e dos infortúnios de Ur e seus últimos três reis, seguiremos os passos de Marduk.
A tabuinha de argila que conta a autobiografia de Marduk (da qual já foi citada um trecho anteriormente) prossegue contando sobre a volta do deus à Babilônia depois de 24 anos de estada no País dos Hatti.
No País dos Hatti perguntei a um oráculo sobre meu trono e minha soberania; entre eles perguntei: “Até quando ficarei”? Por 24 anos, entre eles, me aninhei.
No 24º. ano, Marduk recebeu um presságio favorável e foi para a Babilônia. A tabuinha está muito danificada nessa parte, mas é possível entender o texto:
Meus dias de exílio estavam terminados; para minha cidade me dirigi. Para meu templo, Esagila, que é como um monte, reconstituir, minha eterna morada estabelecer. Ergui os calcanhares para ir à Babilônia. Através de… Terras voltei à minha cidade, para seu futuro, bem-estar estabelecer, para um rei na Babilônia colocar na casa de minha aliança… No Esagila que é como um monte… Por Anu criado… Dentro do Esagila… Uma plataforma erguer… Em minha cidade… Alegria…
Em seguida o texto dá uma lista das cidades pelas quais Marduk passou a caminho da Babilônia. Essa parte da tabuinha também está bastante quebrada, mas os poucos nomes legíveis indicam que a rota da Ásia Menor até a Mesopotâmia o levou, primeiro, a passar por Hama (Hamat na Bíblia) e depois por Mari. Então ele de fato chegou à Mesopotâmia vindo do Ocidente, como tinham predito os oráculos. E ele estava acompanhado de partidários amoritas (os “ocidentais”).
Conta Marduk em sua autobiografia que seu desejo era trazer a paz e a prosperidade, “expulsar o mal e o azar… trazer amor maternal à humanidade”. Porém, nada disso aconteceu. Um adversário “despejou sua ira” contra a Babilônia. O nome desse deus inimigo aparece logo depois no início de uma nova coluna do texto, mas dele só resta a primeira sílaba: “Divino NIN…”. Só pode ser Ninurta.
Esse texto pouco nos esclarece sobre as ações desse adversário, pois todos os versos seguintes estão numa parte muito quebrada da tabuinha, impossibilitando a compreensão da inscrição. No entanto, podemos captar mais alguma coisa lendo a terceira plaquinha dos Textos de Codorlaomor. Apesar de ser um tanto enigmática, essa inscrição pinta um quadro de tumulto total, com deuses inimigos marchando uns contra os outros à frente de suas tropas humanas. Os amoritas de Marduk caíram sobre o vale do Eufrates, ameaçando Nippur, e Ninurta organizou as forças dos elamitas para enfrentá los.
À medida que lemos e relemos os registros dessas épocas difíceis, vamos descobrindo que acusar falsamente um inimigo de cometer atrocidades não é algo típico do mundo moderno. O texto babilônico – e temos de ter sempre em mente que ele foi escrito por um adorador de Marduk – atribuiu às tropas elamitas a profanação de templos, inclusive dos santuários de Ishtar e Shamash, e acusa Ninurta de culpar mentirosamente os seguidores de Marduk pela profanação do Santo dos Santos de Enlil/Yahweh em Nippur com o objetivo de instigar Enlil a se posicionar contra Marduk e seu filho Nabu.
Segundo o texto, o saque de Nippur e a profanação do Ekur aconteceram quando os dois exércitos se enfrentaram naquela cidade. Ninurta acusou os seguidores de Marduk pelo sacrilégio, mas o verdadeiro autor do feito foi Nergal! A crônica babilônica não oferece maiores explicações para o aparecimento de Nergal/Erra, um irmão de Marduk, como aliado de Ninurta. Mas nos Textos de Codorlaomor ele é especificamente acusado de profanar o Ekur.
Erra, o impiedoso, entrou no recinto sagrado. Parou diante dele e contemplou o Ekur. Abrindo a boca, disse aos jovens guerreiros: “Levem os despojos do Ekur, tirem daqui seus valores, destruam suas fundações, derrubem o muro do santuário”!
Quando Enlil/Yahweh soube que seu templo fora destruído, que “no Santo dos Santos o véu fora rasgado”, apressou-se a ir a Nippur. “Ele emitia um brilho como se fossem raios” ao descer do céu, tendo a sua frente “deuses vestidos de esplendor”, e “fez o lugar sagrado se sacudir” ao se aproximar dele. O grande deus dirigiu-se a seu filho, “o príncipe Ninurta”, querendo saber quem fora o autor da profanação. Este, falsamente, apontou um dedo acusador para Marduk e seus seguidores. Descrevendo a cena, o texto babilônico garante que Ninurta agiu sem o devido respeito para com seu pai: “Sem temer pela vida, ele não removeu sua tiara”. Ele “contou mentiras a Enlil/Yahweh … não houve justiça; a destruição fora concebida”.
Segundo o cronista, agindo dessa forma Ninurta fez com que Enlil/Yahweh “causasse mal à babilônia”. Além dos “males” contra Marduk e sua cidade, foi também planejado um ataque contra Nabu, o filho de Marduk, e seu templo, o Ezida, situado em Borsippa. Mas Nabu conseguiu fugir para o oeste, onde procurou abrigo nas cidades perto do Mediterrâneo que lhe eram fiéis.
Do Ezida… Nabu, querendo liderar todas as suas cidades, voltou seus passos para o grande mar.
Os versos do texto babilônico que vêm em seguida fazem um paralelo exato com a história bíblica da destruição de Sodoma e Gomorra:
Mas quando o filho de Marduk estava na terra do litoral, aquele Malvado Vento Erra com calor a planície calcinou.
Esses versos e a descrição bíblica da destruição com “fogo e enxofre” têm uma fonte comum. Segundo a Bíblia (por exemplo, Deuteronômio 29:22-27), a “iniqüidade” das cidades da planície do Jordão foi elas terem “abandonado a aliança com Yahweh/Enlil”, terem ido “servir a outros deuses”. Pelo texto babilônico ficamos sabendo que o “grito” contra elas era a acusação de terem tomado o partido de Marduk e Nabu. Mas, enquanto a narrativa bíblica pára por aí, o texto babilônico nos oferece importantes detalhes: as cidades cananéias foram atacadas não somente para eliminar Nabu, que nelas procuraram abrigo. Todavia, essa segunda meta não foi atingida, porque Nabu conseguiu fugir para uma ilha no Mediterrâneo, cujos habitantes o aceitaram prontamente, apesar de ele não ser um deus:
Ele no grande mar entrou, sentou-se num trono que não era seu, Porque o Ezida, sua legítima morada, fora arrasado.
O quadro pintado a partir dos textos bíblicos e babilônicos fica mais claro com a leitura do Épico de Erra. Composto a partir de fragmentos encontrados na biblioteca de Assurbanipal, esse texto assírio foi tomando forma e sendo mais bem compreendido à medida que outras versões fragmentadas iam sendo descobertas em diferentes sítios arqueológicos. Hoje sabe-se que ele foi
escrito em cinco tabuinhas de argila, e do texto total só faltam algumas poucas linhas. Existem duas traduções completas e minuciosas desse épico: Das Era Epos, de P. F. Gõssmann, e L’Epopea di Erra, de L. Cagni. O Épico de Erra não apenas explica a natureza e as causas do conflito que redundou no uso da Arma Máxima contra cidades habitadas (com a intenção de aniquilar um deus que nelas se escondia), como também deixa claro que essa medida extrema não foi tomada de maneira apressada e irresponsável.
Sabemos a partir de vários outros textos que naquele momento de grave crise os grandes deuses permaneciam reunidos num contínuo Conselho de Guerra, mantendo um constante contato com Anu. “Anu para a Terra falava as palavras, a Terra para Anu as palavras pronunciava.” O Épico de Erra acrescenta a informação de que, antes de serem usadas as terríveis armas, houve um confronto entre Nergal/Erra e Marduk, em que o primeiro usou de ameaças para persuadir o irmão a deixar a Babilônia e desistir de sua ambição de conquistar a supremacia.
Dessa vez a tentativa de persuasão falhou. Ao voltar diante do Conselho dos Deuses, Nergal recomendou o uso da força contra Marduk. O texto conta que as discussões foram acaloradas e amargas: “por um dia e uma noite”, sem cessar, eles argumentaram. Houve uma discussão violenta entre Enki e seu filho Nergal, em que o primeiro tomou o partido de seu primogênito, Marduk:
“Agora que o príncipe Marduk se ergueu, que o povo pela segunda vez levantou sua imagem, por que Erra continua sua oposição”?
Finalmente, perdendo a paciência, Enki gritou para Nergal sair de sua presença. Furioso, Nergal voltou a seus domínios. “Consultando-se consigo mesmo”, ele decidiu usar as terríveis armas:
“As terras destruirei, transformando-se num monte de pó; as cidades arrasarei, as transformarei em desolação; os mares agitarei, o que neles pulula eu dizimarei; as pessoas farei sumir, suas almas se transformarão em vapor, ninguém será poupado”…
Por um texto conhecido como CT-xvi-44/46, sabemos que foi Gibil, o irmão cujos domínios africanos faziam fronteira com os de Nergal, quem avisou Marduk sobre a destruição que Nergal estava tramando. Era noite, e os grandes deuses tinham se retirado para repousar. Gibil foi procurar Marduk e contou sobre as “sete armas” que tinham sido criadas por Anu… “A maldade
dessas sete está voltada contra ti”. Assustado, Marduk perguntou ao irmão onde eram guardadas essas armas: “ó Gibil, aquelas sete… onde nasceram, onde foram criadas”? Ao que Gibil respondeu:
Aquelas sete na montanha habitam; elas moram numa cavidade dentro da terra. Desse lugar, com um brilho elas se arremeterão, da Terra para o Céu, vestidas de terror.
Continua . . .



