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Zelensky está nas mãos de Oligarcas ucranianos e do Complexo Industrial Militar dos EUA

Especialistas ouvidos pela Sputnik Brasil não creem que o presidente da Ucrânia, Vladimir Zelensky, sente-se na mesa de negociações de paz após crescente desgaste de sua malsucedida e fracassada contraofensiva. Isso porque, segundo um deles, o governo ucraniano é sinônimo de [Corrupção e] um “saco sem fundo” para receber dinheiro e armas dos seus aliados da OTAN/G-7 do Ocidente.

Zelensky está nas mãos de Oligarcas ucranianos e do Complexo Industrial Militar dos EUA

Fonte: Sputnik

Também chamou atenção a irritação e a discordância dos países da “Velha Ordem Mundial” com os países emergentes. Segundo um analista ouvido pela jornalista Melina Saad, da Sputnik Brasil, EUA e Europa interferem nas questões de outras nações, mas acham que o Sul Global não deve opinar sobre a questão ucraniana.

Além disso, o arranjo econômico entre Ucrânia e Estados Unidos vai bem e precisa ser mantido porque é extremamente lucrativo para ambas as partes, conforme nota Eden Pereira, professor de relações internacionais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

“A posição de Zelensky [sobre tratativas de paz] não mudou e dificilmente deve mudar. A carreira política dele está nas mãos de oligarcas ucranianos e do complexo industrial militar dos Estados Unidos, cujo papel foi e está sendo cumprido com sucesso. Ao mesmo tempo, quando a sua posição já não for mais tão importante para a estratégia conduzida por Washington na Ucrânia, o apoio a uma mudança nos rumos, e mesmo na direção política do Estado, poderá ser diretamente estimulada. Isso pode vir a acontecer na medida em que o contínuo suporte militar e político ocidental não gere resultados concretos no campo de batalha”, aponta.

Entretanto Pereira alerta que “isso é um círculo vicioso”.

Segundo ele, se Zelensky for completamente abandonado enquanto os Estados Unidos negociam uma desescalada no conflito com a Rússia, a imagem seria a de que os ucranianos foram derrotados e que todo o suporte e sacrifício foi inútil, e deixaria os russos como únicos vencedores.

Isso é inadmissível para os membros [do Deep State, controladores] da administração de Joe Biden, prossegue o professor, que já está marcada pela retirada desastrosa do Afeganistão e que está às vésperas de uma dura eleição presidencial em 2024 e a abertura de Processo de Impeachment pela Câmara dos Deputados no Congresso dos EUA.

Ele afirma que a Ucrânia ser capaz de derrotar os russos ou não sempre foi uma questão secundária, e hoje é ainda mais.

“Essa tendência momentânea favorece a posição de Zelensky, que precisa pedir cada vez mais recursos financeiros e militares. A situação econômica e estratégica de Kiev perante a Rússia, que em fevereiro de 2022 já era bastante grave, piorou na medida em que a evolução do conflito sugou tudo o que a Ucrânia possuía. Ao referido saco sem fundo, que conhecemos como governo ucraniano, e aos Estados Unidos não resta escolha. Essa estrutura, lucrativa para os dois lados, precisa ser mantida e sustentada custe o que custar.”

Mundo dividido, o fim de uma “Velha Ordem Mundial”

Tito Lívio Barcellos Pereira, geógrafo, mestre em estudos estratégicos da defesa e segurança e doutorando em relações internacionais do Programa de Pós-Graduação San Tiago Dantas, vê os países ocidentais [OTAN/G-7] e o Sul Global divididos em relação ao conflito, às suas implicações e à sua extensão.

“Para os países do chamado [Hospício Ocidental do] primeiro mundo, o conflito foi causado por uma decisão unilateral do governo da Federação da Rússia, que, em suas visões, quer anexar territórios na Ucrânia por questões históricas da elite russa. Mas para os países emergentes a interpretação é diferente: eles não concordam que essa guerra tem um único responsável e [acham] que só através de uma resolução política, diplomática, a construção de um novo regime de segurança europeu e atlântico permitirá que não necessariamente uma paz, mas uma estabilidade estratégica retorne ao ambiente regional.”

Isso, de acordo com ele, tem base no governo de Zelensky, que tomou uma série de atitudes políticas: orientou a sua política externa visando a uma integração unilateral à União Europeia e, principalmente, à Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), que é percebida pela Rússia como uma grave ameaça europeia e dos EUA à sua segurança e integridade.

“Uma relíquia da Guerra Fria, uma aliança militar feita para defender a Europa de uma ameaça soviética e que permanece até os dias atuais, mesmo com o fim da disputa bipolar. A Ucrânia na OTAN traria a infraestrutura militar estratégica da OTAN para as fronteiras da Rússia“, avalia.

Nesse caldeirão geopolítico, ele lembra que os países que financiam a Ucrânia não estão sendo bem-sucedidos em convencer a comunidade internacional a se engajar pela causa ucraniana e isolar a Rússia, que era o objetivo final deles.

Os países emergentes e os demais países em desenvolvimento não apenas consideram que a responsabilidade do conflito é compartilhada com o Ocidente, como também não aderiram às sanções, ao embargo econômico, político e cultural que a Rússia vem sofrendo.

Tanto europeus quanto norte-americanos adoram interferir em problemas dos outros, mas acham que o Sul Global não deve se meter na questão ucraniana. Mas ficou claro e evidente que a Rússia conseguiu contornar o embargo internacional e mantém um crescimento macroeconômico. A maioria dos países, e estamos falando de mais da metade da população mundial, não se importa de continuar mantendo relações com a Rússia”, observa.

(‘Dementia’ Joe) Biden em apuros?

O historiador e tradutor Rodrigo Ianhez lembra que o apoio à Ucrânia pode custar caro a Joe Biden e suas pretensões de reeleição nos EUA, em 2024. Embora a economia americana esteja em uma posição mais favorável que a da Europa em relação às consequências desse conflito, ela foi afetada e a inflação bateu recordes das últimas décadas.

De acordo com sua avaliação, isso afeta a possibilidade de Biden realizar uma campanha bem-sucedida, mesmo porque o adversário, Donald Trump, coloca a guerra na Ucrânia no centro do debate e tem uma posição totalmente contrária à de Biden.

“Aquelas pessoas que associarem os seus problemas econômicos, [os problemas] que o mundo vem sofrendo, que o Ocidente vem sofrendo (e os Estados Unidos não são uma exceção) [ao conflito], essas pessoas vão evidentemente se influenciar por essa posição quanto à guerra na Ucrânia, que está no centro das razões pelas quais estão vivenciando uma crise econômica desde o ano passado.”


EUA classificam vídeo satírico RT como uma ameaça à segurança nacional

O Departamento de Segurança Interna dos EUA divulgou um novo relatório de avaliação de ameaças destacando os perigos que Washington enfrenta. Entre outras coisas, alerta para a tecnologia de IA utilizada por intervenientes estrangeiros para espalhar alegada “desinformação” – e apresenta um vídeo obviamente satírico da RT como exemplo de tais atividades.

O relatório, divulgado na semana passada, afirma que os “adversários do Estado-nação” de Washington,  incluindo a Rússia, a China e o Irã“continuam a desenvolver as mais sofisticadas campanhas de influência maligna online”. O alegado esforço é agora impulsionado pela tecnologia de IA, que permite “a rápida criação de um fornecimento infinito de texto de maior qualidade e mais idiomaticamente correto”, o que supostamente dá aos adversários dos EUA uma “maior aura de credibilidade”.

“Atores de influência russos usaram novas tecnologias de IA em casos selecionados para aumentar as suas operações. Por exemplo, em junho, uma conta de mídia social da RT (anteriormente Russia Today) criou e compartilhou um vídeo deepfake gerado por IA depreciando o presidente dos EUA e outros líderes ocidentais”, diz a avaliação.

O exemplo listado aparentemente se refere a um vídeo divulgado pela RT em junho que retrata líderes ocidentais, incluindo o presidente dos EUA, Joe Biden, o presidente francês, Emmanuel Macron, e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, usando várias técnicas pouco ortodoxas em busca de inspiração para eclodir MAIS um novo pacote [inútil] de sanções anti-russas. 

O vídeo obviamente satírico nunca foi anunciado pela RT como uma filmagem real do processo de desenvolvimento das sanções impostas pelos países ocidentais.


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