O primeiro caça F-39 Gripen produzido em solo brasileiro será apresentado nesta quarta-feira, 25, em Gavião Peixoto (SP), em evento com presença do Presidente da República e demais “autoridades”. Trata-se da primeira aeronave supersônica brasileira, feita pela Embraer em parceria com a Saab da Suécia. O Brasil entra na seleta lista de nações que produzem caças supersônicos – que contempla países como EUA, França, Rússia, Índia, China, Alemanha e Suécia.
Fonte: Istoédinheiro
Após parceria de mais de uma década entre empresa brasileira e sueca, primeiras unidades serão produzidas e montadas em solo brasileiro
O contrato com a sueca Saab foi firmado em 2014 prevê a entrega de 36 aeronaves pela cifra de US$ 4 bilhões, sendo 28 Gripen E monoposto e 8 Gripen F biposto.
No total, existem 12 unidades já em solo brasileiro, sendo 11 fabricadas e montadas na Suécia e, na solenidade desta quarta-feira, 25, é apresentada a 12º unidade – que também é a 1º aeronave de caça supersônico montada no Brasil.
Após isso, serão mais 15 unidades produzidas pela Embraer em solo brasileiro.
As instalações da Embraer em Gavião Peixoto produzirão os caças Gripen E utilizando uma cadeia de suprimentos brasileira e internacional, incluindo aeroestruturas fabricadas na unidade da Saab em São Bernardo do Campo. Os outros caças previstos no contrato atual com a Força Aérea Brasileira seguirão esse mesmo modelo de produção.

Saab venceu disputa com Boeing e Dassault
A parceria entre Saab e a companhia brasileira é de mais de uma década, com o início da parceria datando de meados de 2013, no segundo mandato de Lula. À época, outras duas empresas – a norte-americana Boeing e a francesa Dassault – estavam na disputa para o fornecimento dos caças ao Brasil.
Os modelos devem substituir os antigos caças F-5, aeronaves da Northrop Corporation de origem americana que integravam a frota de caças da FAB.
O F-39E Gripen consolida o Brasil como polo tecnológico na produção de caças supersônicos – considerando que, com isso, o país será um dos poucos que passa a ter domínio sobre etapas estratégicas de produção de modelos de caças de alta tecnologia.
Dados oficiais apontam que a produção da aeronave em solo nacional envolveu mais de 300 engenheiros brasileiros que participaram de treinamentos na Suécia. O projeto também balizou mais de 2 mil empregos diretos (na frente de produção) e outros 10 mil postos de trabalho.
“A apresentação do primeiro Gripen produzido no Brasil representa mais um marco relevante na colaboração estratégica entre Brasil e Suécia. Temos plena confiança de que essa parceria gera valor para ambos os países e possui grande potencial para abrir novas oportunidades de negócios”, afirma Bosco da Costa Junior, Presidente e CEO da Embraer Defesa & Segurança.
Entre as autoridades brasileiras presentes no evento estavam o Presidente da República; a Embaixadora da Suécia no Brasil, Karin Wallensteen; o Ministro da Defesa, José Múcio Monteiro Filho; o Comandante da Força Aérea Brasileira, Tenente-Brigadeiro Marcelo Kanitz Damasceno; além de executivos das empresas envolvidas no programa, incluindo Micael Johansson, Presidente e CEO da Saab, e Francisco Gomes Neto, Presidente e CEO da Embraer
Dentre as especificações técnicas do F-39E Gripen, estão:
- Míssil Meteor além do alcance visual de última geração, com alta energia e longo alcance
- Míssil WVR IRIS-T, de alcance visual, que é o mais avançado da sua classe
- Alerta de aproximação de mísseis disparados contra a aeronave
- Cobertura 360 graus de sensores ativos e passivos que provê consciência situacional
- Alerta de radar, com capacidade de confirmar a localização de sinais emitidos por qualquer radar, seja no solo ou no mar
- Sistema de guerra que confunde radares inimigos interferindo ou saturando com múltiplos sinais fantasmas
- Datalink com fusão de dados em tempo real
- Ataque eletrônico que interfere e satura eletronicamente os sistemas antiaéreos inimigos
- Apoio Aéreo Aproximado/Interdição Aérea assistida por equipes de militares em solo
- Tecnologia que gera alvos falsos
- Sistema de Identificação amigo/inimigo, que detalha quais são as forças amigas e inimigas
Com isso, a aeronave que será apresentada em Gavião Peixoto (SP) pode atingir velocidades de até 2.500 km/h – ou seja, duas vezes a velocidade do som. A autonomia é de até duas horas e meia de voo. Em velocidade máxima, o F-39E Gripen consegue ir da capital paulista até Boa Vista (RR) em cerca de 1h40.
Além disso, a aeronave supersônica também possui um sistema de reabastecimento em ar, sendo um fator crucial para o patamar da sua autonomia.

Um avião supersônico é uma aeronave capaz de voar a velocidades superiores à velocidade do som – chamado de velocidade Mach 1, de aproximadamente 1.235 km/h ao nível do mar. No caso do F-39E Gripen, a velocidade é de Mach 2.
O Míssil Meteor, da MBDA System, de origem europeia, é um dos mais letais do mundo. Sendo operado desde meados de 2016, ele possui um sistema de propulsão por estatofoguete (ramjet).
Assim, diferentemente dos mísseis convencionais que queimam todo o combustível em uma aceleração inicial, o motor do Meteor regula o fluxo de ar para manter uma velocidade constante acima de Mach 4 durante quase todo o trajeto – o que gera uma ‘Zona de Não-Fuga’ três vezes maior que a de seus concorrentes, permitindo que ele manobre com energia máxima mesmo no limite do seu alcance, que é estimado em mais de 200 km.
Já em novembro de 2025 a FAB havia realizado o primeiro lançamento do míssil, como teste.
Aeronave da Saab e Embraer foi empregado em Alerta de Defesa Aérea no mês passado
No fim de fevereiro, no dia 24, o caça foi empregado, pela primeira vez, em uma missão de Alerta de Defesa Aérea, através da Base Aérea de Anápolis (BAAN), em Goiás, responsável pela defesa do espaço aéreo da capital do país, Brasilia.
“Essa missão consiste em fazer a defesa do espaço aéreo brasileiro. A aeronave está pronta para decolar, caso seja acionada, tendo como finalidade a missão-fim da nossa Força, que é garantir a soberania do espaço aéreo. Devido à tecnologia embarcada nessa aeronave, ela tem alto poder dissuasório, e coloca o Brasil na vanguarda em termos de capacidade de defesa aérea”, disse o Comandante da BAAN, Tenente-Coronel Aviador André Navarro de Lima Guimarães, à época.



